sexta-feira, 14 de junho de 2013

O acesso à ilha de Jaguanum




É certo que até bem pouco tempo atrás, as ilhas de Jaguanum, de Marambaia e de Sororoca nem contavam com os serviços de fornecimento de energia elétrica. Porém, muito ainda precisa ser feito em prol da dignidade e do desenvolvimento das populações que habitam essas localidades e aí entendo que o Programa Luz para Todos deve ser visto apenas como um começo.

Foi conversando com pessoas que vivem em Jaguanum que pude conhecer um pouco mais sobre as dificuldades que os moradores de lá enfrentam cotidianamente. Quem não tem seu próprio barco, acaba pagando salgados R$ 50,00 por uma viagem de ida (ou de volta) até Itacuruçá. Certa vez uma senhora me contou que ela e uma outra família dividiam o aluguel de um imóvel continente para economizarem dinheiro com esses deslocamentos. Absurdo!

Providenciar um transporte marítimo para moradores de Jaguanum, assim como já existe para a Ilha Grande que já é atendida pela CCR Barcas, torna-se medida indispensável para garantir o direito de ir e vir das cerca de 350 famílias que por lá residem, bem como para desenvolver o turismo na comunidade e no município como todo. Pois mesmo o visitante de fora nem sempre dispõe de recursos suficientes para gastar R$ 100,00 com viagem de barco, fazer refeições, comprar lanches e ainda pagar pela hospedagem numa pousada, se não retornar no mesmo dia.

Tendo em vista a existência de populações tradicionais nas ilhas de Mangaratiba e a necessidade de preservação ambiental, é importante estimular o desenvolvimento sustentável em Jaguanum não permitindo que ali se torne um lugar de expulsão. Neste sentido, o turismo ecológico seria a melhor opção. Através do transporte diário de passageiros, com partidas do continente toda manhã e retornando à tarde (nas sextas-feiras pode funcionar uma barca noturna), haveria então o recebimento de um número maior de visitantes, o que abriria portas para a construção de novas pousadas, áreas de camping com qualidade, restaurantes, sorveterias, serviços de guia e esportes náuticos.

Enfim, seriam novas oportunidades de trabalho e de renda, com as quais devemos nos importar. Se Jaguanum vier a ser um grande atrativo, não tenho dúvidas de que Itacuruçá e toda Mangaratiba só terão a lucrar porque será um motivo a mais para o turista permanecer na nossa região e conhecer outros lugares bonitos também.


OBS: Foto extraída do site da Prefeitura Municipal de Mangaratiba.

7 comentários:

  1. Curioso que hoje, ao consultar a Lei Orgânica do Município, verifiquei no artigo 165 caput que deve "O Município, no âmbito de sua Competência, estabelecer o transporte marítimo no objetivo de atender à população residente nas ilhas do seu território".

    Diz ainda o texto da Lei Orgânica que a tarifa do transporte coletivo deve ser "acessível ao poder aquisitivo da população bem como assegurar uma qualidade de serviços digna dos cidadãos" (art. 161 caput)

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  2. Passei alguns dias na praia da Longa, vizinha das praias de Araçatiba, na Ilha Grande. Pagamos R$ 25 pela passagem mas os moradores pagam meia tarifa, ainda um absurdo! As Barcas S/A fazem apenas o trajeto Angra - Abraão 1 X dia. E só! Incrível como não existe um transporte regular entre as comunidades. Se você está numa praia tem de voltar a Angra, pernoitar e só então embarcar para outra praia/comunidade. Uma pena...

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    1. Boa noite, Carlos!

      Sem dúvida os moradores e turistas da Ilha Grande são mal atendidos pelos serviços de transporte, mas a situação nem se compara com algum as comunidades da Baía de Sepetiba, especialmente em Jaguanum. Também já estive várias vezes na Ilha Grande e posso dizer que um dos acessos mais difíceis é você chegar na paradisíaca Praia do Aventureiro, em que faz-se necessário embarcar no Cais dos Pescadores às 14 horas rumo ao Provetá, pernoitar no povoado e, no dia seguinte, pegar uma condução de madrugada para o destino final. Exceto se a pessoa for a pé pela trilha do Provetá ao Aventureiro. Para um turista em busca de tranquilidade, talvez não seja tão problemático quanto para quem vive no local e precisa vir à cidade com maior frequência para determinadas necessidades como tratamento de saúde, trabalho, fazer um curso, compras, etc. Todavia, os serviços públicos funcionam bem melhor em Angra do que em Mangaratiba, apesar da distância de Ilha Grande ao continente ser maior do que em Jaguanum.

      Um abraço.

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  3. SOU CLAUDIO RANGEL, CRIEI UM SITE CÂMARA COMUNITÁRIA DE ITACURUÇA - MANGARATIBA - RJ.E TAMBEM UM FACEBOOK TEMOS VARIOS SEGUIDORES, A IDEIA DA CAMARA COMUNITARIA E ANTES DO DIREITO UM DEVER DE TODOS CIDADÃO EXERCENDO CIDADANIA EXIGINDO MAIS ANTES DE TUDO CUMPRINDO SEUS DEVERES, E UM DOS TOPICOS NAS REDES SOCIAIS E A MOBILIDADE URBANA, RURAL E MARITIMA, PROPONHO QUE ARTICULEMOS UM FORUM PARA TRATAR DO ASSUNTO PRINCIPALMENTE PARA OS ILHEUS, DESDE JÁ GOSTARIA DE DEIXAR CLARO QUE SERIA OTIMO QUE CONDUZISSEMOS SEM POLITICOS PARTIDARIOS, TEMOS COMO AVANÇAR

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    1. Olá!

      Parabéns pela iniciativa!

      Acho que todas as comunidades ilhéus deveriam ter ser respectivos conselhos ou câmaras comunitárias a exemplo da Ilha Grande. Seriam sugestões adequadas tanto para Jaguanum, quanto Marambaia e Ilha de Itacuruçá.

      Boa sorte!

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  4. Acabei de voltar de Jaguanum. Fechei transporte com o barqueiro a R$25(ida+volta)

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    1. Boa noite, Amanda.

      Acho que pagou barato pela viagem no táxi-boat (caso o barqueiro tenha levado só você), o que é compreensível por estarmos na baixa temporada.

      No entanto, considero que o correto seria haver linhas regulares de barcas para Jaguanum e Ilha de Itacuruçá atendendo prioritariamente moradores a um preço mais acessível.

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