terça-feira, 11 de novembro de 2014

Prevenindo acidentes com lancha e jet-ski nas praias




Já fazem quase 27 meses que estou morando em Muriqui, um dos balneários  mais frequentados no litoral sul fluminense. Durante os dias úteis da semana, isto aqui é uma tranquilidade só. Um paraíso! Porém, aos sábados, domingos e feriados, a localidade fica demasiadamente agitada. Pois, além do movimento dos carros dos turistas, dos pagodões e do funk em alto volume, bem como do lixo que alguns mal educados descartam na areia da praia, tenho notado algo muitíssimo preocupante: o uso de lanchas e de motos aquáticas (jet-ski) bem próximos à orla marítima.

Lamentavelmente, esse tráfego de veículos não somente tem colocado em risco a vida e a segurança de banhistas como também anda afetando o meio ambiente aquático, as espécies de animais que habitam na baía, sendo certo que as populações tradicionais de pescadores dependem do equilíbrio ecológico para fins de sustento familiar. E, para ser franco, acho uma tremenda estupidez pessoas ficarem se exibindo de jet-ski nas proximidades da praia, cenas estas que têm se tornado cada vez mais comuns nos finais de semana ensolarados. Principalmente por causa da popularização da moto aquática nos últimos anos, apesar da exigência quase recente de habilitação amadora específica.

Embora a fiscalização em nossa região seja feita pela Capitania dos Portos situada em Itacuruçá, a Lei Federal nº 9.537/97, que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional, permite aos municípios auxiliarem na fiscalização através de convênio com a autoridade marítima. É o que podemos constatar pela leitura de seu artigo 6º:

 "A autoridade marítima poderá delegar aos municípios a fiscalização do tráfego de embarcações que ponham em risco a integridade física de qualquer pessoa nas áreas adjacentes às praias, quer sejam marítimas, fluviais ou lacustres."

Assim, considerando que o turismo é parte integrante da economia de Mangaratiba, não pode a Prefeitura omitir-se quanto a essa preocupante questão. Logo, tendo em vista a ideia de criação de uma Guarda Municipal Marinha, proposta esta que ouvi ser anunciada na audiência pública sobre a APA do Boto Cinza realizada dia 23/10, no Centro Cultural Cary Cavalcanti, torna-se necessário o Município cuidar melhor da segurança nas praias.

Por outro lado, sabemos que a área fiscalizada pelo Poder Público é bem extensa. Nem sempre a embarcação da Marinha encontra-se em todos os lugares da baía. Por exemplo, enquanto os militares agem na Marambaia, um motonauta pode estar desrespeitando limites em locais como Muriqui, Praia Grande, Sahy ou Ibicuí, pondo em risco a vida de diversos banhistas. E aí, nessas horas, fica complicado realizar um monitoramento completo. Menos ainda contar com a consciência dos condutores desses veículos.

Ora, como não podemos continuar correndo qualquer risco, acredito ser necessário delimitar melhor a área de segurança para os banhistas, ação que encontra respaldo na Lei  Federal  nº 7.661/88, a qual instituiu o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro. Tal norma permite a execução de um planejamento próprio pelo Município como pode ser verificado pela observância do parágrafo 1º do seu artigo 5º:

"Os Estados e Municípios poderão instituir, através de lei, os respectivos Planos Estaduais ou Municipais de Gerenciamento Costeiro, observadas as normas e diretrizes do Plano Nacional e o disposto nesta lei, e designar os órgãos competentes para a execução desses Planos."

Penso que o gerenciamento da costa de Mangaratiba pode muito bem ser feito com a ajuda de uma sinalização adequada no mar que impeça a aproximação indesejada das lanchas e das motos aquáticas pelo isolamento da área de lazer. Trata-se do balizamento de praias como pode ser visualizado na imagem a seguir. Deste modo, afim de que as praias continuem sendo bens públicos de uso comum do povo, tanto a Prefeitura quanto a Câmara Municipal precisam buscar soluções urgentes capazes de garantir a segurança dos banhistas.



Já estamos quase na metade de novembro e eis que mais um verão está chegando. Como cidadãos de Mangaratiba, todos queremos que os turistas descansem tranquilos em suas férias na nossa amada região da Costa Verde. E, quando se fala na vida humana, sabemos que esta não tem preço. Então, que tal o Município agir logo?!


OBS: A primeira imagem acima extraída do acervo da Wikipédia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Jetboot_Jetski_DM_2007_Krautsand_2.jpg enquanto que a segunda foto eu a recebi por e-mail do sr. Aírton Monteiro, técnico de sinalização náutica.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

E se as sacolas plásticas fossem proibidas no comércio local?




Lendo acerca da experiência legislativa na cidade de São Paulo, refleti hoje sobre a importância de Mangaratiba também banir de vez a distribuição das sacolinhas plásticas no comércio local.

Embora tais embalagens proporcionem para o consumidor alguma praticidade e a possibilidade de uma nova utilização para coletar o lixo residencial, eis que pagamos um alto preço ambiental por essa comodidade toda. Ainda mais no caso de um município situado na costa marítima, como é o nosso, em que o plástico, uma vez descartado indevidamente nos oceanos, acaba sendo confundido com as águas vivas, alimento das tartarugas aquáticas. E isto vem causando a morte destes animais indefesos afetando também o boto-cinza e outras espécies mais na baía de Sepetiba.

Além do mais, as sacolinhas espalham-se incontrolavelmente pela cidade, sujando quintais, árvores, vias públicas, etc. São uma praga! E, embora nem todos saibam, a grande maioria das sacolas plásticas disponíveis nos supermercados brasileiros costumam ser feitas de uma resina sintética originada do petróleo. Não são biodegradáveis e podem levar centenas de anos para se decompor na natureza.

Em diversos países europeus, não se usa mais sacolas plásticas nos supermercados por motivo de preservação do meio ambiente. Trata-se de um grande avanço ecológico e consciencial. Só que, no Brasil, as coisas costumam chegar com um considerável atraso. Porém, antes tarde do que nunca, não é mesmo?! Por isso, inspirando-me na Lei 15.374 do Município de São Paulo, elaborei um anteprojeto normativo acerca do assunto. Qualquer vereador de Mangaratiba pode propor em seu nome a criação de uma nova lei para o benefício da coletividade usando na íntegra o texto a seguir ou adaptando-o:


Art. 1º - Fica proibida a distribuição gratuita ou a venda de sacolas plásticas aos consumidores para o acondicionamento e transporte de mercadorias adquiridas em estabelecimentos comerciais no Município de Mangaratiba. 

Parágrafo único - Os estabelecimentos comerciais devem estimular o uso de sacolas reutilizáveis, assim consideradas aquelas que sejam confeccionadas com material resistente e que suportem o acondicionamento e transporte de produtos e mercadorias em geral. 

Art. 2º - Os supermercados ficam obrigados a afixar placas informativas, com as dimensões de 40 cm x 40 cm, junto aos locais de embalagem de produtos e caixas registradoras, com o seguinte teor: "POUPE RECURSOS NATURAIS! USE SACOLAS REUTILIZÁVEIS". 

Art. 3º - O disposto nos arts. 1º e 2º desta lei deverá ser implementado até 31 de dezembro de 2015. 

Art. 4º - O disposto nesta lei não se aplica: 

I - às embalagens originais das mercadorias; 

II - às embalagens de produtos alimentícios vendidos a granel; e 

III - às embalagens de produtos alimentícios que vertam água. 

Art. 5º - A fiscalização da aplicação desta lei será realizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca. 

Art. 6º - As despesas com a execução desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário. 

Art. 7º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. 


OBS: Ilustração acima presente em algumas páginas da internet e com autoria desconhecida, tendo sido a imagem extraída de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFW1GnJ-VI9deCu-yF-hx4i7eX47vRZsjtSQOZEB-Pg90PvR-8kfblLVGxXeVjeeEobMyB7kxaH63GBJGeG2JARx71tNYhW7THU2RkaJHtm0v1y2g4w0sdZKkpcSy1gpXdRmbLI7hPJ50/s1600/tartaruga_e_sacola_plastica.jpg

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Precisamos de mais ônibus extras para Muriqui!




Por volta das cinco da tarde deste último domingo (02/11), após ter deixado a praia, fiquei perplexo com o tamanho da fila do transporte coletivo da linha Muriqui-Itaguaí, a qual é operada pela empresa Expresso Mangaratiba. Os passageiros, dentre os quais pessoas idosas e mães com criança, aguardavam em pé a chegada da condução que já estava bem atrasada. E, certamente, uns três ou quatro ônibus não seriam suficientes para o atendimento de uma demanda tão grande de usuários naquele horário.

Embora fosse finados, eis que o feriado havia caído justo no primeiro dia semana. E, na sexta-feira das bruxas (31/10), apesar de alguns servidores municipais terem recebido folga compensatória pelo trabalho no dia do funcionário público, a população de veranistas do distrito não chegou a crescer tanto no final de semana. Logo, tratava-se de mais um domingo ensolarado como outro qualquer da primavera cujas cenas deverão fazer parte da rotina da nossa localidade pelos próximos meses até o término do calor em abril/2015. Ou seja, tudo indica que a orla de Muriqui vai continuar a encher e lotar ainda mais depois do Natal quando chegarem as festas de fim de ano juntamente com as férias escolares de janeiro e o período carnavalesco em fevereiro.

Não tenho nada contra a vinda de banhistas para as nossas praias. Muito pelo contrário! Pois quer andem de carro, ônibus, van, barco, moto, a pé, ou de bicicleta, são todos turistas e devem ser bem recebidos. Aliás, se mais gente fizesse uso do transporte coletivo e deixasse o automóvel na garagem, teríamos menos congestionamentos na Rio-Santos bem como menos problemas quanto ao tráfego de veículos em determinadas ruas de Muriqui. Pois, como é cediço, há motoristas mal educados que estacionam em cima das calçadas prejudicando a passagem dos pedestres como vi na tarde deste domingo minutos antes da Guarda Municipal comparecer...

Oras, mas como é que as pessoas vão deixar de viajar de carro se a Expresso Mangaratiba presta um serviço tão deficiente a ponto de não atender satisfatoriamente o aumento da demanda de usuários?!

Por que a concessionária não coloca mais ônibus extras à disposição?!

Entretanto, caso o problema seja o engarrafamento no túnel, a Expresso poderia muito bem requerer ao DETRO uma mudança ocasional no seu itinerário afim de que os veículos extras passem opcionalmente pela estradinha do Axixá. Neste caso, como já existe a linha Itacuruçá-Itaguaí, os ônibus que viessem diretamente de Muriqui não precisariam entrar no centro do 3º Distrito. Bastaria seguir em frente e alcançar a BR-101 depois da saída do túnel.

De qualquer modo, não dá mais para a situação continuar como está. Pois, além do desconforto absurdo sofrido pelos banhistas, o problema está atingindo também a nós moradores de Muriqui já que qualquer residente ou proprietário veranista pode ter a sua mobilidade comprometida em certos dias e horários. E aí não dá para contar com o limitado transporte alternativo legalizado nesses momentos caóticos. Menos ainda com os motoristas clandestinos, os quais chegam a cobrar mais do que o dobro da tarifa pelo serviço não tendo como oferecer vagas para todos.

Diante desse quadro, só nos resta pressionar as autoridades por todos os meios legais, sendo certo que o assunto em tela não é nenhuma novidade. Registrar reclamações na Expresso, no DETRO e na Prefeitura de Mangaratiba seriam atos meramente simbólicos se pensarmos em termos práticos porque os nossos gestores já sabem o que acontece. Por isso o melhor a fazer seria o encaminhamento de denúncias ao Ministério Público, à Comissão de Defesa do Consumidor da ALERJ, organizar protestos criativos e chamar os telejornais para fins de acompanhamento do caso. Do contrário, as coisas tendem a se repetir pelos próximos anos e podem até piorar. Ainda mais agora com uma acessibilidade maior à Costa Verde proporcionada Arco Metropolitano sem que a rodovia Rio-Santos fosse também duplicada.

Concluo o artigo lembrando que esse é um fato que interessa a algumas dezenas de milhares de pessoas, dentre as quais turistas, proprietários veranistas e moradores de Muriqui. Muitos que frequentam a nossa praia são trabalhadores humildes e têm direito ao lazer como qualquer outro ser humano. São essas famílias que aquecem o fraco comércio da localidade cujo movimento é compensador apenas nos finais de semana, feriados e na alta temporada de verão. Sem esses consumidores, a nossa economia míngua de modo que tanto o Poder Público quanto a Expresso Mangaratiba precisam cuidar melhor do bem estar dos nossos banhistas.


OBS: Foto para divulgação extraída do portal Nilópolis Online, conforme consta em http://nilopolisonline.com/nol/2013/07/usuarios-reclamam-da-precariedade-do-servico-prestado-pela-viacao-expresso-mangaratiba/

terça-feira, 28 de outubro de 2014

É preciso promover ainda mais a imagem do boto-cinza!




Desde o ano de 2012, como muitos devem saber, o boto-cinza, nome científico Sotalia guianensis, passou a ser considerado patrimônio natural do nosso município (Lei nº. 832, de 26/10/12), de modo que o animal tornou-se alvo de várias propostas tanto do Poder Público como da sociedade civil. Iniciativas como o turismo de observação e a criação de uma unidade de conservação ambiental de uso sustentável têm sido executadas aqui em Mangaratiba com grandes expectativas de sucesso para todos.

Quanto ao turismo de observação, cuida-se de passeios guiados e agendados que partem duas vezes ao dia do cais de Itacuruçá. Na data da saída, os participantes precisam comparecer, no horário marcado, à sede do Instituto Boto Cinza (IBC) para receber informações sobre os procedimentos e regras da atividade. Somente após esta etapa é que os interessados podem então se dirigir ao Centro de Informações Turísticas do Distrito onde é adquirido o ingresso para então embarcarem. O tempo para a observação dos botos dura no máximo 20 minutos, conforme estabelecido por Lei, e apenas duas embarcações podem se aproximar do grupo de animais observados por cada vez.

Sobre a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha Boto Cinza, eis que, na manhã do dia 23/10, ocorreu uma importante consulta pública no Centro Cultural Cary Cavalcanti. Foi um evento promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca da Prefeitura de Mangaratiba afim de que a sociedade pudesse conhecer e se manifestar acerca da proposta. Estiveram na reunião representantes de diversos órgãos governamentais, militantes do IBC, pescadores artesanais bem como pessoas da comunidade. E, conforme foi exposto, a futura unidade de conservação vai ter uma sede e deverá abranger praticamente todo o espaço da Baía de Sepetiba situada dentro do nosso município.

Acredito que, se a Câmara Municipal aprovar a lei de criação dessa APA marinha, teremos uma grande oportunidade de desenvolver um trabalho de qualidade em Mangaratiba, ainda que as visitações diárias fiquem restritas a apenas dois passeios diários. Pois para o ponto de vista do turismo ecológico, a divulgação do boto juntamente com a unidade de observação servirá de referencial para atrair pessoas do país inteiro e também do exterior para conhecer a nossa região.

Sendo assim, penso que espalhar cartazes pelo território do Município ainda seria pouco porque o que Mangaratiba precisa mesmo é fazer do boto a sua principal logomarca através da qual ficaremos mundialmente conhecidos. Decorar cabines dos telefones públicos com uma escultura do animal, construir monumentos em praças e nos calçadões das praias, adaptar as lixeiras na orla para que lembrem o cetáceo, além de investimentos em publicidade nas entradas dos distritos ao longo da rodovia Rio-Santos, seriam importantes estratégias de marketing para recebermos mais visitantes na cidade.

Por outro lado, os empresários e a sociedade devem colaborar afim de que a imagem do boto fique popularizada. Ou seja, o comércio local (e não apenas a loja do IBC) pode passar a vender em grande escala camisetas, chaveiros, bonés, golfinhos de pelúcia e brinquedos em geral pois são objetos que, no fim das contas, acabam virando meios de divulgação de Mangaratiba. Também a decoração dos quiosques passaria a seguir um novo padrão estabelecido pela Prefeitura capaz de promover o animal já que seus proprietários são uma espécie de permissionários do Município devendo se sujeitar às normas locais (leis e decretos municipais).

Pensando desta maneira, Mangaratiba estará dando um grande passo para desenvolver-se turisticamente porque passaremos a atrair uma nova clientela mais interessada na contemplação da natureza enquanto que, simultaneamente, iremos preparar o ambiente para um choque de ordem ecológico capaz de educar os nossos visitantes. E aí, como consequência de todas essas ações, haveria uma aumento da arrecadação, mais oportunidades de negócios, geração de emprego e renda, a formação de uma opinião favorável ao investimento de verbas públicas em projetos conservacionistas das espécies marinhas da APA, dentre inúmeros outros benefícios diretos/indiretos pra cidade.

Nossa Baía de Sepetiba é uma das maiores do Brasil, com 536 quilômetros quadrados. A população de botos estimada em suas águas fica entre 739 e 2.196 animais, os quais utilizam a região para se alimentar, reproduzir, socializar, descansar e se deslocar. Por isso mais do que nunca precisamos estudar maneiras adequadas para desenvolver a região e que, ao mesmo tempo, financiem a proteção das espécies hoje ameaçadas nesse sensível ecossistema marinho. Logo, será pela promoção da imagem do cetáceo que poderemos obter as esperadas melhorias tanto na área ecológica quanto na economia local, conciliando o turismo com o meio ambiente.


OBS: Imagem acima extraída de uma notícia da Agência Brasil com créditos autorais atribuídos a Wilson Dias, conforme consta em http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-10/mpf-cobra-fiscalizacao-para-evitar-mortes-de-botos-na-baia-de-sepetiba-no-rio

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Que tal se tivéssemos aqui a Trilha Transmangaratibense?




Frequentemente tenho me deparado com notícias na mídia falando sobre a Trilha Transcarioca que atravessa a cidade do Rio de Janeiro de oeste a leste levando o ecoturista a cenários incríveis. Seu início fica na Barra de Guaratiba e termina no Pão de Açúcar, compreendendo uma extensão atual de cerca de 100 quilômetros já manejados e sinalizados.

Pensando a respeito disso, tenho amadurecido em minha mente a ideia de se projetar em Mangaratiba uma trilha que permita o turista caminhar de Itacuruçá até Conceição de Jacareí e ainda conhecer alternativamente a Serra do Piloto. Falo de uma estrutura que em que as pessoas possam visitar as praias, cachoeiras e diversas outras atrações naturais existentes no nosso município.

Embora pareça uma ideia recente para nós, eis que o conceito sobre as trilhas de longo curso existe há cerca de um século tendo sido já amplamente testado com sucesso em vários lugares do mundo. Em alguns países, como nos Estados Unidos e República Dominica, tais vias são consideradas corredores ecológicos integrando os sistemas de unidades de conservação da natureza.

Através de um trabalho em conjunto entre a Prefeitura e o INEA, acredito ser possível realizar esse projeto em nossa região, o que seria importantíssimo tanto para ajudar na conservação do Parque Estadual do Cunhambebe pela presença de visitantes conscientes como também desenvolver sustentavelmente o ecoturismo. Isto porque, na proximidade dos diversos acessos da trilha, a Secretaria de Turismo pode inventariar e cadastrar hotéis, albergues, pousadas, restaurantes, sítios de lazer, etc.

Atualmente, a Trilha Transcarioca tem mais de 100 km prontos e totalmente sinalizados. Quando estiver completamente pronta cruzará o Rio de Janeiro por um percurso de aproximadamente 170 km, saindo da Barra de Guaratiba até o Morro da Urca, aos pés do Pão de Açúcar, havendo propostas de se incluir futuramente a Restinga de Marambaia. Neste caso, serão 250 km de extensão e aí, se tivermos desenvolvendo um bom trabalho no município, as pessoas que fizerem um percurso inverso (vindo da Urca para a Marambaia), poderão dar continuidade ao passeio quando atravessarem de barco até Itacuruçá e prosseguirem até Conceição de Jacareí onde há uma fartura de transportes para a Ilha Grande.

Como já escrevi em outras postagens publicadas neste blogue, o turismo pode ser considerado uma indústria sem chaminés e, se for desenvolvido com sustentabilidade, pode até ajudar na conservação do meio ambiente. No caso das trilhas, embora devemos ter sempre atenção com as vias de acesso que são abertas para caçadores, palmiteiros e bandidos que se escondem nas matas, há que se considerar também que a presença humana pode ajudar no monitoramento das áreas protegidas formando grupos de apoio de voluntários. Ou seja, a própria atividade de recreação, quando bem direcionada, acaba ajudando na ampliação e manutenção de um proveitoso corredor ecológico na Serra do Mar.

E então? Que tal Mangaratiba começar a trabalhar nisso para 2020?


OBS: Ilustração acima extraída de um mapa mostrando o trajeto da Trilha Transcarioca, conforme consta em http://mosaico-carioca.blogspot.com.br/p/trilha-transcarioca.html

domingo, 21 de setembro de 2014

Criação da APA do Boto Cinza



Conforme li no portal da Prefeitura na internet, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Mangaratiba está convocando a população para participar no dia 23/10/2014 de uma Audiência Pública sobre a criação e implementação da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha Boto Cinza. O encontro com a sociedade está previsto para acontecer das nove ao meio dia no Centro Cultural Cary Cavalcanti, região central da cidade.

De acordo com a secretária da pasta Natacha Kede, essa APA tem por objetivo "ordenar e melhor gerir grande parte da área marinha do município, além de possibilitar a redução de conflitos e compatibilizar a conservação ambiental com correta utilização dos recursos naturais". Com isso, espera-se que a nova unidade de conservação venha a compreender uma área de cerca de 24 mil hectares, indo desde a Restinga da Marambaia até as proximidades da Ilha Guaíba.

Independente das divergências políticas, ideológicas e partidárias existentes entre as pessoas em nossa Mangaratiba, penso que devemos apoiar a iniciativa, conhecendo melhor a proposta e dando contribuições sugestivas. Nosso município carece de mais espaços protegidos sendo que estes, uma vez criados, precisam também ser melhor geridos afim de preservarem eficientemente os ecossistemas nativos juntos com as respectivas espécies. Daí ser necessário que o Poder Público seja mais atuante na fiscalização dentro das unidades de conservação e no entorno destas, fazendo coisas como combater a pesca predatória, frear a especulação imobiliária e ter pulso firme contra aqueles empreendimentos econômicos irreversivelmente danosos para a natureza. Isto porque, como bem sabemos, um animal silvestre não fica confinado apenas dentro de uma APA, parque ou reserva, pois ele se locomove tanto dentro quanto fora do local e sofre os terríveis efeitos das ações humanas.

Além de proteger melhor o cetáceo e parte de seu meio aquático, desejo que a futura APA se torne uma escola viva de educação ambiental. Através de brilhantes iniciativas como a do projeto De Olho no Boto do Instituto Boto Cinza (IBC), acredito no grande potencial do turismo de observação, o qual será capaz de instruir moradores e turistas na mesma proporção em que gerará renda para famílias de pescadores aqui em Mangaratiba.

Portanto, vale a pena acompanharmos de perto esses trabalhos do órgão ambiental da Prefeitura e nos esforçarmos para participar da audiência pública marcada para o próximo mês.

Viva o boto cinza!


OBS: Imagem acima referente ao informativo da audiência pública.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Políticas públicas para formar cuidadores de idosos




Segunda-feira (15/09), quando estive na recepção do setor de farmácia da Prefeitura afim de saber informações sobre o injustificável atraso na medicação de minha esposa, li um cartaz falando sobre um curso de cuidadores de idosos num endereço situado na Estrada de São João Marcos. Verifiquei que, embora prestado por uma voluntária da Cruz Vermelha, eis que estava sendo cobrada de cada participante uma taxa única de R$ 200,00 (duzentos reais).

De modo algum posso dizer que o preço das aulas estaria custando caro tendo em vista que, em São Paulo, a Cruz Vermelha presta o serviço pelo valor de R$ 750,00 (setecentos e cinquenta reais) com uma carga horária de 100 horas. Porém, o fato é que para um município pobre como o nosso e com graves problemas de mobilidade urbana, o curso ainda não é acessível para a maior parte dos habitantes de Mangaratiba.

É inegável o envelhecimento da população brasileira, o que é acompanhado também pela nossa realidade local agravada pela migração dos mais jovens para os grandes centros urbanos em busca de oportunidade de trabalho. Com isso, apenas aumenta a necessidade de se capacitar familiares e profissionais para prestar uma melhor assistência ao idoso, seja este saudável e doente, conforme os princípios da Gerontologia e da Geriatria.

Ora, certamente não podemos obrigar que a Cruz Vermelha, mesmo não tendo fins lucrativos, passe a oferecer cursos gratuitos aqui em Mangaratiba. Entretanto, o Poder Público precisa estar atento às demandas que vão surgindo no meio social afim de elaborar políticas que busquem melhorar a qualidade de vida na terceira idade bem como prestar uma assistência adequada aos familiares. E tal papel cabe também aos municípios juntamente com os demais entes estatais.

A meu ver, cursos como esses tanto criam novas oportunidades de trabalho quanto ajudam a humanizar a nossa sociedade no trato com o idoso formando nas relações pessoais a chamada cultura do cuidado. Pois nem sempre conhecemos quais as principais alterações orgânicas e doenças que acometem os idosos. O mesmo pode ser dito igualmente no tocante ao processo de envelhecimento e suas particularidades, como agir diante dos casos de violência contra o cidadão idoso, que direitos estão previstos na Lei Federal n.º 10.741/2003, quais as atividades ocupacionais direcionadas a esse público, dieta nutricional adequada, etc.

Portanto, sugiro que a Prefeitura estude soluções a respeito da questão em comento e invista em cursos profissionalizantes de cuidadores de idosos, mas que sejam abertos também aos familiares destes. Talvez o próprio Cecap de Muriqui, situado na Avenida das Nações Unidas, poderia ser um dos locais de capacitação dos interessados aqui no nosso município. Afinal, vale a pena proporcionarmos mais dignidade e qualidade de vida às gerações que um dia já cuidaram da nossa. 


OBS: Ilustração acima extraído do portal da Prefeitura Municipal de Tapiratiba (SP), conforme consta em http://www.tapiratiba.sp.gov.br/novo_site/index.php?exibir=noticias&ID=430