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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Muito além da Ilha dos Gatos: o desafio das políticas públicas de proteção animal em Mangaratiba



A recente reportagem do jornal O GLOBO sobre a Ilha Furtada, popularmente conhecida como "Ilha dos Gatos", publicada no último domingo (31/05/2026), trouxe novamente à discussão pública um tema conhecido há muitos anos por moradores, pesquisadores, protetores de animais e autoridades ambientais aqui em Mangaratiba.

À primeira vista, a Ilha dos Gatos pode parecer apenas uma curiosidade regional ou uma história inusitada da Costa Verde. No entanto, essa percepção é enganosa. O caso da Ilha Furtada tornou-se, ao longo das últimas décadas, um verdadeiro estudo de caso sobre como problemas ignorados por longos períodos acabam exigindo soluções institucionais complexas e a atuação coordenada de diferentes órgãos públicos e entidades da sociedade civil.

O que começou, segundo relatos históricos e a memória preservada por moradores da região, com a introdução de alguns gatos em uma ilha desabitada, acabou se transformando em uma questão que mobiliza pesquisadores, universidades, entidades de proteção animal, órgãos ambientais, Ministério Público Federal, Assembleia Legislativa e o próprio Município de Mangaratiba.

Mais importante do que discutir apenas os efeitos do problema é compreender suas causas. 

A Ilha dos Gatos não é apenas um problema insular.

Na realidade, ela representa o reflexo mais visível de um problema que começou no continente.

Os gatos não surgiram espontaneamente na ilha. Eles foram levados para lá por seres humanos. Ao longo do tempo, novos abandonos contribuíram para ampliar uma população que passou a gerar preocupações relacionadas ao bem-estar animal, à saúde pública e aos impactos ambientais sobre um ecossistema insular sensível.

Essa constatação conduz a uma reflexão fundamental: a solução não será encontrada apenas na ilha. Ela depende, sobretudo, de políticas públicas implementadas no continente.

Durante muitos anos, a proteção animal foi tratada no Brasil quase exclusivamente por meio do esforço voluntário de protetores independentes e organizações da sociedade civil. Embora esse trabalho tenha sido — e continue sendo — essencial, tornou-se evidente que desafios estruturais exigem respostas igualmente estruturadas.

Desde os primeiros meses em que passei a residir permanentemente em Mangaratiba, no segundo semestre de 2012, venho defendendo a necessidade de políticas públicas permanentes para a proteção animal. Em 2013, publiquei artigo propondo uma política municipal eficiente de defesa animal. Em 2019, retomei o tema num outro post destacando que a responsabilidade pelo cuidado com cães e gatos não poderia recair apenas sobre voluntários. Em 2020, quando me candidatei ao cargo de vereador, apresentei propostas voltadas à ampliação dos serviços públicos relacionados à saúde e ao bem-estar animal.

Felizmente, nos últimos anos começaram a surgir avanços institucionais importantes.

Em 2025, o Município de Mangaratiba aprovou a Lei nº 1.590, de 11 de junho, que instituiu o Programa de Manejo Ético dos Gatos da Ilha Furtada. A legislação representa um marco relevante ao adotar os princípios da Saúde Única (One Health), reconhecendo a integração entre saúde humana, saúde animal e preservação ambiental.

A norma prevê ações de monitoramento, controle populacional ético, vigilância sanitária, educação ambiental, recuperação dos ecossistemas afetados e combate ao abandono de animais.

A aprovação da lei, entretanto, não encerrou o debate. Pelo contrário.

Mesmo após sua entrada em vigor, a situação continuou sendo acompanhada por instituições científicas, pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), por órgãos ambientais e pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Esse acompanhamento demonstra que o problema exige continuidade administrativa, cooperação institucional e avaliação permanente dos resultados alcançados.

Ao mesmo tempo, uma nova iniciativa surge em âmbito nacional e pode contribuir significativamente para o enfrentamento de situações semelhantes.

Em conformidade com a Lei nº 15.046, de 17 de dezembro de 2024, e com o Decreto Federal nº 12.439, de 17 de abril de 2025, o Governo Federal lançou o Cadastro Nacional de Animais Domésticos, conhecido como SinPatinhas, permitindo o registro de cães e gatos em uma base nacional. 

Embora o cadastro não seja uma solução mágica para problemas acumulados ao longo de décadas, ele representa um instrumento importante para fortalecer a identificação dos animais, estimular a guarda responsável e auxiliar políticas públicas de controle populacional.

Municípios que desenvolvam programas de castração, microchipagem e identificação eletrônica poderão utilizar ferramentas como essa para ampliar a eficiência das ações e reduzir o abandono.

Mangaratiba possui condições de se inserir nesse novo contexto.

A experiência da Ilha dos Gatos demonstra que políticas públicas voltadas para a causa animal não devem ser vistas como um tema secundário. Elas dialogam diretamente com a saúde pública, a educação ambiental, a proteção da biodiversidade e a qualidade de vida da população.

Por essa razão, é importante que o município continue avançando em iniciativas como programas permanentes de castração, campanhas educativas, identificação eletrônica de animais, apoio às entidades protetoras, fiscalização dos maus-tratos e incentivo à adoção responsável.

A principal lição deixada pela Ilha dos Gatos talvez seja justamente esta: problemas públicos raramente surgem de forma repentina. Na maioria das vezes, eles são construídos pela ausência de planejamento e pela falta de ações preventivas ao longo do tempo.

Da mesma forma, as soluções também não surgem de um dia para o outro.

Elas são resultado de trabalho contínuo, cooperação institucional e compromisso da sociedade com o interesse coletivo.

Se quisermos transformar a Ilha dos Gatos em um exemplo de solução e não apenas de problema, alguns próximos passos parecem especialmente relevantes: consolidar o Programa de Manejo Ético da Ilha Furtada com metas anuais claras, orçamento definido e divulgação periódica dos resultados alcançados; integrar progressivamente as ações municipais ao Cadastro Nacional de Animais Domésticos (SinPatinhas), ampliando a microchipagem e a identificação eletrônica dos animais; fortalecer campanhas de educação para a guarda responsável, especialmente em áreas com maior incidência de abandono; e ampliar as parcerias com universidades, centros de pesquisa e órgãos ambientais para monitoramento ecológico e avaliação permanente dos impactos e resultados das medidas adotadas.

Nenhuma dessas iniciativas, isoladamente, resolverá um problema construído ao longo de décadas. Juntas, porém, podem contribuir para que Mangaratiba avance na construção de uma política pública moderna, baseada em evidências, capaz de conciliar proteção animal, saúde pública e preservação ambiental.

A Ilha dos Gatos não deve ser lembrada apenas como uma curiosidade da Costa Verde. Ela pode se tornar um exemplo de como uma comunidade, apoiada pela ciência, pelas instituições e pelas políticas públicas adequadas, é capaz de enfrentar problemas complexos e construir soluções duradouras para as futuras gerações.


📷: Alerj/divulgação 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Como nos posicionarmos diante de um empreendimento bem preocupante na nossa baía?



No final da tarde de hoje, li uma importante postagem no perfil do Facebook do internauta Cláudio Maia (ex-secretário de meio ambiente do Município na gestão do Dr. Ruy) a respeito de um novo empreendimento que, certamente, irá impactar a nossa baía. Informa o autor que:

"Ontem participei da audiência pública, pra duplicação do pier de atracação da Tecon. 
Será mais uma intervenção de significativo impacto ambiental em nossa região, com previsão de 9 meses de dragagem em nosso canal, prejudicando a pesca e degradando ainda mais nossa Baía.
A sensação que temos é de impotência, pois o que parece é que estamos apenas cumprindo tabela durante as audiências, pois os empreendimentos já estão decididos. No entanto, apesar da pouca divulgação é muito importante a participação e entendimento do que vem sendo planejado para NOSSA BAÍA!
É importante que se considerem os impactos sinergético dos empreendimentos e não considerar de maneira isolada a construção desse Pier.
Apartir de Hj esta aberto o prazo de 10 dias para encaminhamento de propostas, criticas e dúvidas através do email: meioambiente@csn.com.br " (destaquei; clique AQUI para acompanhar o debate)

Pesquisando sobre o assunto, descobri as seguintes informações contantes numa página da CSN na internet acerca do que já existe em termos de empreendimento e falando da audiência pública ocorrida na data de ontem em Itaguaí:

"Um dos principais terminais de contêiner do país, o Sepetiba Tecon fica no Porto de Itaguaí (RJ). Inaugurado em 1998, o terminal tem instalações, serviços e capacidade superiores à média dos terminais nacionais, o que possibilita tornar-se o porto ideal para a concentração e distribuição de cargas no Atlântico Sul.
Ao operar no conceito one stop shop, onde tudo pode ser resolvido localmente, o Sepetiba Tecon confere agilidade e custo competitivo às operações de carga e descarga. Bases locais da Alfândega, Ministério da Agricultura e Saúde, Banco do Brasil e Santander, permitem operações de desembaraço aduaneiro ágeis com 7 parametrizações diárias (5 processos de exportação e 2 nos de importação) no Siscomex.
Instalado em localização singular, a apenas 80 km da cidade do Rio de Janeiro, o Sepetiba Tecon fica próximo dos maiores centros econômicos e industriais do país (responsáveis por 60% do PIB nacional) e no ponto de convergência das principais rodovias brasileiras. Além disso, conta com acesso ferroviário e marítimo, com destaque para o atendimento pela MRS, o que permite operações logísticas dinâmicas e econômicas." - Extraído de http://www.sepetibatecon.com.br/conteudo_pti.asp?idioma=0&conta=45&tipo=59546&prSv=1

A meu ver, mesmo sendo algo executado no Município vizinho, é inadequada a ampliação das atividades portuárias na tão degradada Baía de Sepetiba. Pois, além dos impactos das obras, teremos um movimento cada vez maior de embarcações em nossas águas, gerando impactos sobre a APA Marinha do Boto Cinza, a qual está situada em Mangaratiba.

Como é de conhecimento geral, o boto cinza está se extinguindo aqui na região (houve uma considerável mortandade recentemente) e o pescador artesanal hoje não consegue mais sobreviver dignamente de sua atividade habitual. Logo, era para não haver mais esses empreendimentos impactantes na baía uma vez que ela já não está mais comportando tantas ocupações, poluições, obras, tráfegos de navios e interferências.

Sendo assim, o meu primeiro posicionamento é ser contra a ampliação. Porém, na hipótese do empreendimento ser executado, deve-se assegurar compensações sócio-ambientais que de fato revertam satisfatoriamente para a Baía de Sepetiba e também para os seus grupos populacionais mais afetados, a exemplo dos citados pescadores.

Para concluir, chamo a atenção da sociedade civil para a importância de nos manifestarmos politicamente quanto ao assunto marcando uma posição. Pois, na prática, tais audiências públicas acabam servindo para legitimar decisões polêmicas contrárias ao meio ambiente e o fato das ONGs, associações de pescadores ou órgãos governamentais muitas das vezes não se manifestarem acaba sendo mal interpretado como um consentimento tácito.

Lutemos em defesa da natureza!

OBS: Imagem acima sobre o Terminal Sepetiba Tecon  extraída de uma página da Marinha do Brasil.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

É preciso promover ainda mais a imagem do boto-cinza!




Desde o ano de 2012, como muitos devem saber, o boto-cinza, nome científico Sotalia guianensis, passou a ser considerado patrimônio natural do nosso município (Lei nº. 832, de 26/10/12), de modo que o animal tornou-se alvo de várias propostas tanto do Poder Público como da sociedade civil. Iniciativas como o turismo de observação e a criação de uma unidade de conservação ambiental de uso sustentável têm sido executadas aqui em Mangaratiba com grandes expectativas de sucesso para todos.

Quanto ao turismo de observação, cuida-se de passeios guiados e agendados que partem duas vezes ao dia do cais de Itacuruçá. Na data da saída, os participantes precisam comparecer, no horário marcado, à sede do Instituto Boto Cinza (IBC) para receber informações sobre os procedimentos e regras da atividade. Somente após esta etapa é que os interessados podem então se dirigir ao Centro de Informações Turísticas do Distrito onde é adquirido o ingresso para então embarcarem. O tempo para a observação dos botos dura no máximo 20 minutos, conforme estabelecido por Lei, e apenas duas embarcações podem se aproximar do grupo de animais observados por cada vez.

Sobre a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha Boto Cinza, eis que, na manhã do dia 23/10, ocorreu uma importante consulta pública no Centro Cultural Cary Cavalcanti. Foi um evento promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca da Prefeitura de Mangaratiba afim de que a sociedade pudesse conhecer e se manifestar acerca da proposta. Estiveram na reunião representantes de diversos órgãos governamentais, militantes do IBC, pescadores artesanais bem como pessoas da comunidade. E, conforme foi exposto, a futura unidade de conservação vai ter uma sede e deverá abranger praticamente todo o espaço da Baía de Sepetiba situada dentro do nosso município.

Acredito que, se a Câmara Municipal aprovar a lei de criação dessa APA marinha, teremos uma grande oportunidade de desenvolver um trabalho de qualidade em Mangaratiba, ainda que as visitações diárias fiquem restritas a apenas dois passeios diários. Pois para o ponto de vista do turismo ecológico, a divulgação do boto juntamente com a unidade de observação servirá de referencial para atrair pessoas do país inteiro e também do exterior para conhecer a nossa região.

Sendo assim, penso que espalhar cartazes pelo território do Município ainda seria pouco porque o que Mangaratiba precisa mesmo é fazer do boto a sua principal logomarca através da qual ficaremos mundialmente conhecidos. Decorar cabines dos telefones públicos com uma escultura do animal, construir monumentos em praças e nos calçadões das praias, adaptar as lixeiras na orla para que lembrem o cetáceo, além de investimentos em publicidade nas entradas dos distritos ao longo da rodovia Rio-Santos, seriam importantes estratégias de marketing para recebermos mais visitantes na cidade.

Por outro lado, os empresários e a sociedade devem colaborar afim de que a imagem do boto fique popularizada. Ou seja, o comércio local (e não apenas a loja do IBC) pode passar a vender em grande escala camisetas, chaveiros, bonés, golfinhos de pelúcia e brinquedos em geral pois são objetos que, no fim das contas, acabam virando meios de divulgação de Mangaratiba. Também a decoração dos quiosques passaria a seguir um novo padrão estabelecido pela Prefeitura capaz de promover o animal já que seus proprietários são uma espécie de permissionários do Município devendo se sujeitar às normas locais (leis e decretos municipais).

Pensando desta maneira, Mangaratiba estará dando um grande passo para desenvolver-se turisticamente porque passaremos a atrair uma nova clientela mais interessada na contemplação da natureza enquanto que, simultaneamente, iremos preparar o ambiente para um choque de ordem ecológico capaz de educar os nossos visitantes. E aí, como consequência de todas essas ações, haveria uma aumento da arrecadação, mais oportunidades de negócios, geração de emprego e renda, a formação de uma opinião favorável ao investimento de verbas públicas em projetos conservacionistas das espécies marinhas da APA, dentre inúmeros outros benefícios diretos/indiretos pra cidade.

Nossa Baía de Sepetiba é uma das maiores do Brasil, com 536 quilômetros quadrados. A população de botos estimada em suas águas fica entre 739 e 2.196 animais, os quais utilizam a região para se alimentar, reproduzir, socializar, descansar e se deslocar. Por isso mais do que nunca precisamos estudar maneiras adequadas para desenvolver a região e que, ao mesmo tempo, financiem a proteção das espécies hoje ameaçadas nesse sensível ecossistema marinho. Logo, será pela promoção da imagem do cetáceo que poderemos obter as esperadas melhorias tanto na área ecológica quanto na economia local, conciliando o turismo com o meio ambiente.


OBS: Imagem acima extraída de uma notícia da Agência Brasil com créditos autorais atribuídos a Wilson Dias, conforme consta em http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-10/mpf-cobra-fiscalizacao-para-evitar-mortes-de-botos-na-baia-de-sepetiba-no-rio

domingo, 21 de setembro de 2014

Criação da APA do Boto Cinza



Conforme li no portal da Prefeitura na internet, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Mangaratiba está convocando a população para participar no dia 23/10/2014 de uma Audiência Pública sobre a criação e implementação da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha Boto Cinza. O encontro com a sociedade está previsto para acontecer das nove ao meio dia no Centro Cultural Cary Cavalcanti, região central da cidade.

De acordo com a secretária da pasta Natacha Kede, essa APA tem por objetivo "ordenar e melhor gerir grande parte da área marinha do município, além de possibilitar a redução de conflitos e compatibilizar a conservação ambiental com correta utilização dos recursos naturais". Com isso, espera-se que a nova unidade de conservação venha a compreender uma área de cerca de 24 mil hectares, indo desde a Restinga da Marambaia até as proximidades da Ilha Guaíba.

Independente das divergências políticas, ideológicas e partidárias existentes entre as pessoas em nossa Mangaratiba, penso que devemos apoiar a iniciativa, conhecendo melhor a proposta e dando contribuições sugestivas. Nosso município carece de mais espaços protegidos sendo que estes, uma vez criados, precisam também ser melhor geridos afim de preservarem eficientemente os ecossistemas nativos juntos com as respectivas espécies. Daí ser necessário que o Poder Público seja mais atuante na fiscalização dentro das unidades de conservação e no entorno destas, fazendo coisas como combater a pesca predatória, frear a especulação imobiliária e ter pulso firme contra aqueles empreendimentos econômicos irreversivelmente danosos para a natureza. Isto porque, como bem sabemos, um animal silvestre não fica confinado apenas dentro de uma APA, parque ou reserva, pois ele se locomove tanto dentro quanto fora do local e sofre os terríveis efeitos das ações humanas.

Além de proteger melhor o cetáceo e parte de seu meio aquático, desejo que a futura APA se torne uma escola viva de educação ambiental. Através de brilhantes iniciativas como a do projeto De Olho no Boto do Instituto Boto Cinza (IBC), acredito no grande potencial do turismo de observação, o qual será capaz de instruir moradores e turistas na mesma proporção em que gerará renda para famílias de pescadores aqui em Mangaratiba.

Portanto, vale a pena acompanharmos de perto esses trabalhos do órgão ambiental da Prefeitura e nos esforçarmos para participar da audiência pública marcada para o próximo mês.

Viva o boto cinza!


OBS: Imagem acima referente ao informativo da audiência pública.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A licença do INEA sobre cais de Muriqui precisa ser anulada!




Em 09/12/2013, utilizando-me dos servidos da Ouvidoria do Ministério Público, formalizei a denúncia ambiental de n.º 261763 sobre a danosa construção do "Cais Turístico de Muriqui", o qual, na ocasião, estava sendo anunciado por intermédio de placas pela orla marítima do Distrito. Esta minha comunicação foi encaminhada à 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Angra dos Reis, sendo que também editei aqui a postagem A localização do cais de Muriqui, dia 08/12.

Ainda em dezembro do ano passado, abri um processo administrativo na Prefeitura de Mangaratiba requerendo informações sobre absurdo esse projeto, o qual ficou registrado sob o n.º 13534/13, mas não fui satisfatoriamente atendido dentro do prazo esperado. E isto me despertou fortes suspeitas contra o Poder Público, pelo que, no mês de janeiro do corrente ano, cheguei a ajuizar a ação popular de n.º 0000002-84.2014.8.19.0030 em face do Município e do Estado, pretendendo anular o suposto ato que teria determinado a construção desse cais.

Em sua defesa na ação, a Prefeitura alegou não haver nenhum ato administrativo nesse sentido. No entanto, ao acessar hoje o site da Prefeitura, tendo localizado uma matéria publicada dia 01º/09, deparei-me com a notícia de que o INEA concedeu a licença ambiental para a construção do Cais Turístico de Muriqui (código Inea UN037986/33.22.45) e que aprovou a localização e a implantação do píer, atracadouro e apoio náutico na praia do distrito. Também diz a reportagem oficial que, de acordo com o prefeito Evandro Capixaba, "as obras devem começar até dezembro", fato que me causa fortes preocupações.

Acontece que a construção de um cais, mesmo com fins turísticos, no local indicado pelo Poder Público (praticamente no meio da praia de Muriqui), tem o enorme potencial de causar um dano ambiental de difícil reversibilidade. Essa lesividade se caracteriza pela afetação da paisagem, da estética, da balneabilidade e da qualidade da água do mar, além de agredir outros valores relacionados à economia, induzir uma queda no preço dos imóveis e até mesmo prejudicar o turismo no nosso 4º Distrito. Isto porque o uso da praia é o principal atrativo da localidade.

Sabe-se que a água em condições de balneabilidade é um dos principais atrativos para o turismo assim como a paisagem cênica, a segurança, os eventos festivos, a natureza e o clima, entre outras variáveis. Pois enquanto uma praia for considerada balneável aos olhos de seu frequentador, continuaremos recebendo visitantes no 4º Distrito, mesmo que a baía de Sepetiba hoje esteja com um certo grau de poluição.

Não podemos nos esquecer dos danos ambientais que, nesses anos recentes, foram causados à Ilha da Madeira, Coroa Grande, Itacuruçá e uma parte da Ilha de Guaíba. É preciso preservar a visibilidade e a harmonização com a bela paisagem cênica existente no distrito, assim como nenhum projeto de "cais turístico" pode causar restrições de espaço à curta extensão de areia da praia de Muriqui que possui apenas 1,1 quilômetro sendo que, quando a maré sobe, muitos banhistas acabam tendo que subir no calçadão.

Conforme uma notícia constante no blog do Instituto Boto Cinza, eis que os golfinhos podem desaparecer das águas da nossa baía de Sepetiba. E, numa matéria divulgada na mídia dia 16/01, o estudioso do assunto Sr. Brito Junior disse que, juntamente com a poluição, “a construção desmedida de empreendimentos na costa não respeita a fauna e a flora local”, criticando também que:

“A todo momento licenciam novas obras, constroem-se mais piers de atracamento, se intensificam as dragagens...”

Portanto, além de afetar o visual da praia de Muriqui e prejudicar a balneabilidade, deve-se levar em conta que a construção de um cais no local também contribui para prejudicar o ecossistema marinho. Sendo assim, entendo que a licença concedida pelo INEA pode muito bem ser anulada por meio de algumas vias processuais cabíveis e a sociedade mangaratibense precisa estar ciente dessa grave ameaça que ronda o nosso 4º Distrito. Logo, essa bombástica notícia deve servir de motivo para nos mobilizarmos, procurarmos os órgãos públicos de defesa ambiental, falar com Ministério Público, ajuizar novas ações populares, chamar a imprensa, promover debates, audiências públicas, etc.

Vamos dizer NÃO ao Cais de Muriqui!


OBS: A imagem acima refere-se ao prefeito Evandro Capixaba exibindo a licença ambiental do INEA, conforme extraído do site da Prefeitura em http://www.mangaratiba.rj.gov.br/portal/noticias/cais-licenca-ambiental.html

domingo, 8 de dezembro de 2013

A localização do cais de Muriqui




Neste mês de dezembro/2013, fiquei perplexo com o presente natalino do Estado para Muriqui em que o governo Sérgio Cabral pretende, numa parceria com a Prefeitura, construir um "cais turístico" no nosso 4º Distrito através do Programa Somando Forças. Este tem por objetivo repassar recursos para realização de obras de infraestrutura nos municípios.

De fato, a construção do tal cais "turístico" já havia sido anunciada anteriormente, mas sem entrar em maiores detalhes. Numa matéria de 29/10 do corrente ano, o site da Prefeitura informou a futura realização desta e de outras obras:

"(...) foi assinado o acordo de cooperação técnica para a Estação Hidroviária, no Centro, com o governo estadual, e o anúncio das reformas dos cais de Itacuruçá e Jacareí, e a construção do cais de Muriqui. Todas as obras para 2014 (...) Segundo Evandro Capixaba, as obras para a construção da Estação Hidroviária começam na primeira quinzena de janeiro do próximo ano (...)"

Sinceramente, não me parece que este cais em Muriqui, ainda mais sendo bem em frente à área central da vila, irá realmente beneficiar o turismo na localidade conforme gostaríamos. Pois temo justamente que ocorra o contrário e a praia fique irreversivelmente descaracterizada a ponto de desvalorizar os imóveis do distrito que, no fim das contas, viraria mais um lugar de passagem como é hoje a sede do Município em relação aos aventureiros ecoturistas que partem rumo à Ilha Grande.

Verdade seja dita que a água é um dos principais atrativos para o turismo assim como a paisagem cênica, a segurança, os eventos festivos, a natureza e o clima, entre outras variáveis. Enquanto uma praia for considerada balneável aos olhos de seu frequentador, continuaremos recebendo visitantes mesmo que a baía de Sepetiba hoje esteja com um certo grau de poluição. Contudo, o que as pessoas vão pensar se, quando forem dar um mergulho em Muriqui, encontrarem uma repugnante mancha de óleo no mar?

Se o cais for construído no local pretendido pelos nossos governantes, corremos até risco de sofrer uma desvalorização turística e imobiliária com preocupantes reflexos sobre a economia distrital. Pois, com o término da obra, poderá ser menor o interesse de inquilinos nas temporadas e de hóspedes nas pousadas, influenciando nos preços de venda. Já a frequência de banhistas também reduziria e os comerciantes em geral já não teriam os mesmos ganhos como nas temporadas sendo certo que, com a construção do túnel José de Alencar, ligando Guaratiba ao Recreio dos Bandeirantes, muitos moradores da Zona Oeste têm passado a frequentar a Barra da Tijuca.

Não sou contra que Mangaratiba tenha a sua estação hidroviária ou que Muriqui conte com um cais turístico. Só discordo é da localização proposta pelos nossos governantes ser praticamente no meio da praia porque afetaria o visual paisagístico. Temo também que a execução das obras possa transtornar a temporada do verão 2013/2014 valendo lembrar que, em janeiro do corrente ano, as chuvas prejudicaram muito o comércio daqui. Pois, após a tromba d'água que caiu em 02/01, as oportunidades de trabalho só aconteceram mesmo foi no período do Carnaval.

Fora isso, pergunto como fica a nossa qualidade de vida já que, além da poluição da baía de Sepetiba, Muriqui tem uma pequena faixa de areia de apenas 1,1 quilômetro de extensão que, nos momentos de maré cheia, obriga os banhistas a subirem no calçadão? Observem que, quando a orla marítima fica lotada de turistas nos acalorados feriadões, os vendedores ambulantes chegam a transitar pela água oferecendo seus variados tipos de produtos!

Considerando a estrutura já existente da sede náutica do Iate Clube de Muriqui, por que os governos estadual e municipal não fazem uma parceria com a iniciativa privada afim de que o lugar se torne um ponto de embarque/desembarque de turistas? Pois, se medirmos atentamente as distâncias, o Iate encontra-se praticamente dentro da área central do 4º Distrito de modo que, se forem realizadas as obras ali, atrairemos mais movimento para uma parte da Avenida Beira Mar menos frequentada.

Não podemos nos esquecer dos danos ambientais que, nesses anos recentes, foram causados à Ilha da Madeira, Coroa Grande, Itacuruçá e uma parte da Ilha de Guaíba. Também a construção do condomínio Pontal de Muriqui fez com que mais uma outra praia se tornasse praticamente inacessível pelos banhistas sendo, na atualidade, mais utilizada pelos urubus do que por gente. E, finalmente, há que se considerar o esgoto lançado in natura nos rios de Mangaratiba (inclusive no Catumbi), a expansão imobiliária nos terrenos inclinados, a destruição dos manguezais, etc. Portanto, não podemos continuar cometendo mais erros em nome de um falso progresso. Ainda mais quando alternativas melhores existem permitindo que a paisagem na praia de Muriqui fique preservada como nesta conhecida foto onde mostra a vista panorâmica da nossa orla:




Que a praia de Muriqui continue assim como está!


OBS: A primeira imagem acima é de minha autoria, a qual dedico ao domínio público, autorizando desde já a sua reprodução, sendo que a segunda foto foi extraída do portal da Prefeitura Municipal de Mangaratiba que é um site oficial.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A pesca no nosso município



Umas das mais antigas vocações do nosso município é a pesca. Já em 1943, uma parte da Ilha da Marambaia foi cedida para a instalação da Escola de Pesca Darcy Vargas, a qual atraiu muitos trabalhadores para lá em busca de empregos e oportunidades durante as décadas em que funcionou até os anos 70.

Em 2009, o governo federal chegou a agendar uma visita técnica para avaliar a possibilidade de reativação da escola de pesca. Confesso não saber que fim levou aquela iniciativa, mas reconheço que seria uma boa oportunidade para darmos mais profissionalismo à atividade pesqueira. Sem dúvida, trata-se de algo com o qual o ministro Sr. Marcelo Crivella, senador eleito pelo nosso estado, poderia se comprometer mais. Só que nem sempre vamos ficar aguardando os governantes e políticos tomarem a iniciativa. O cidadão organizado pode realizar algo!

Como se sabe, ainda hoje a pesca tem um grande potencial a ser trabalhado no município e pode desenvolver-se integrada com o turismo. No atual momento em que empresas como a MMX precisam investir aqui suas contrapartidas pelos empreendimentos econômicos feitos na região capazes de impactar o meio ambiente, temos uma oportunidade única a ser aproveitada. Basta a sociedade mangaratibense trabalhar com união, cooperativismo e visão empresarial.

Lembrando que muitos pescadores já têm suas respectivas associações, penso nos infinitos projetos para atrair turistas para a nossa região e aumentarmos o consumo de pescados. Falo, por exemplo, na realização de festas que possam envolver também os restaurantes, bares, quiosques e ainda organizar feiras livres. Numa época de inverno, em que a frequência da praia diminui bastante, podemos criar situações compensatórias e que tornem Mangaratiba uma cidade atrativa o ano inteiro. Anualmente, o governo federal tem promovido a Semana do Peixe, prevista para ocorrer no mês que vem em todo o país. Contudo, são ações locais que fazem diferença e as maiores contribuições da Prefeitura seriam a organização dos espaços a serem utilizados e o marketing na divulgação.

Segundo a OMS, as pessoas deveriam consumir pelo menos 12 quilos de pescado por ano. Porém, o consumo do brasileiro é em torno de 9 quilos, segundo informações do Ministério da Pesca. E, sendo assim, eis aí um grande motivo para incentivarmos eventos desse tipo no nosso município.


OBS: Imagem extraída do site do Ministério da Pesca e Aquicultura.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O acesso à ilha de Jaguanum




É certo que até bem pouco tempo atrás, as ilhas de Jaguanum, de Marambaia e de Sororoca nem contavam com os serviços de fornecimento de energia elétrica. Porém, muito ainda precisa ser feito em prol da dignidade e do desenvolvimento das populações que habitam essas localidades e aí entendo que o Programa Luz para Todos deve ser visto apenas como um começo.

Foi conversando com pessoas que vivem em Jaguanum que pude conhecer um pouco mais sobre as dificuldades que os moradores de lá enfrentam cotidianamente. Quem não tem seu próprio barco, acaba pagando salgados R$ 50,00 por uma viagem de ida (ou de volta) até Itacuruçá. Certa vez uma senhora me contou que ela e uma outra família dividiam o aluguel de um imóvel continente para economizarem dinheiro com esses deslocamentos. Absurdo!

Providenciar um transporte marítimo para moradores de Jaguanum, assim como já existe para a Ilha Grande que já é atendida pela CCR Barcas, torna-se medida indispensável para garantir o direito de ir e vir das cerca de 350 famílias que por lá residem, bem como para desenvolver o turismo na comunidade e no município como todo. Pois mesmo o visitante de fora nem sempre dispõe de recursos suficientes para gastar R$ 100,00 com viagem de barco, fazer refeições, comprar lanches e ainda pagar pela hospedagem numa pousada, se não retornar no mesmo dia.

Tendo em vista a existência de populações tradicionais nas ilhas de Mangaratiba e a necessidade de preservação ambiental, é importante estimular o desenvolvimento sustentável em Jaguanum não permitindo que ali se torne um lugar de expulsão. Neste sentido, o turismo ecológico seria a melhor opção. Através do transporte diário de passageiros, com partidas do continente toda manhã e retornando à tarde (nas sextas-feiras pode funcionar uma barca noturna), haveria então o recebimento de um número maior de visitantes, o que abriria portas para a construção de novas pousadas, áreas de camping com qualidade, restaurantes, sorveterias, serviços de guia e esportes náuticos.

Enfim, seriam novas oportunidades de trabalho e de renda, com as quais devemos nos importar. Se Jaguanum vier a ser um grande atrativo, não tenho dúvidas de que Itacuruçá e toda Mangaratiba só terão a lucrar porque será um motivo a mais para o turista permanecer na nossa região e conhecer outros lugares bonitos também.


OBS: Foto extraída do site da Prefeitura Municipal de Mangaratiba.