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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Oportunidades com a baixa temporada




Tendo se encerrado neste último domingo (14/02) a temporada do Carnaval, eis que, para muitos comerciantes dos balneários de Mangaratiba, as possibilidades de ganhos significativos no semestre parecem ter ficado restritas aos últimos fins de semana de verão. Há quem diga que mesmo o feriado da Semana Santa não costuma ser tão movimentado quanto os da atual estação, muito embora a sua ocorrência este ano se dará em março.

Acontece que o fim da alta temporada pode também significar uma tremenda oportunidade para alavancarmos o tão desejado turismo de qualidade em todos os distritos de Mangaratiba. Pois, se refletirmos bem, o público que invade as nossas praias nos finais de ano e Carnaval exclui a vinda de muitas pessoas que gostaríamos de receber na nossa cidade.

Em meu artigo Turismo gastronômico: uma potencialidade a ser desenvolvida em Mangaratiba de 31/03/2014, apontei umas das opções para o município se preparar. Na ocasião, sugeri que,

"Tanto o Poder Público quanto os empresários de Mangaratiba poderiam estar aproveitando a estrutura já existente de restaurantes e de bares afim de direcioná-la para eventos de culinária. Pois, ao invés de cada empreendedor trabalhar sozinho em seu estabelecimento, todos podem se unir somando forças para que sejam criadas programações na cidade e nos distritos com cardápios específicos em cada local, os quais, por sua vez, seriam previamente divulgados através de um calendário mensal elaborado pela Prefeitura (...) a gastronomia pode agregar valor ao turismo em Mangaratiba, ocasião em que estaríamos buscando atrair um público mais específico que ainda desconhece os encantos desta terra. Ao contrário do verão, em que os comerciantes ganham com a quantidade, investiríamos então na qualidade. E aí, se todos forem unidos, o sucesso de uma empresa contribuirá para levantar a outra"

Para chegar a esse nível, entendo que a cidade precisa se direcionar de corpo e alma para novos objetivos. Lembro que, nos dias 23 a 25 de outubro do ano passado, tivemos na Praia de Muriqui o incrível festival de jazz e blues. Infelizmente, choveu pra valer naquele final de semana e a divulgação no ambiente físico do 4º Distrito deixou a desejar, só que, ainda assim, foi um sucesso. Finalmente, conseguimos receber aquele público capaz de agregar valor ao turismo de uma cidade. 

Uma pena que tais visitantes não se tornaram frequentadores do Município pois vieram somente na ocasião. Se houver outro evento, talvez voltem a Muriqui, mas pude perceber que não se sentiram atraídos especificamente pelo lugar por diversas razões. Por exemplo, recordo que um casal de Maricá reclamou de não ter encontrado um estabelecimento que lhes vendesse um café expresso. E, de fato, não temos aqui opções para um público refinado. Até as coisas servidas próximas ao palco do show não tinham muito a ver com os interesses da maioria dos presentes.

Há quem diga que é o comerciante quem cria ou define o público que deseja receber, algo que, em parte, considero. Pois são os produtos, a postura no atendimento, o estilo de musica tocada, a decoração do estabelecimento e a higiene do ambiente que, por exemplo, criarão um elo de identidade com o consumidor. E aí, se ao invés de vender latão por R$ 5,00 (cinco reais), um restaurante oferecesse cerveja importada de qualidade, ou mesmo uma artesanal de Campos do Jordão, será que não atrairíamos grupos mais selecionados de turistas?

Por outro lado, reconheço que o próprio comerciante torna-se um refém da situação atual. Eu mesmo trabalho com uma marca popular de sorvetes, a qual até uns dois ou três anos era vendida nos trens da Supervia ao preço de R$ 1,00 (agora os camelôs da Zona Oeste carioca já trazem um picolé mais barato fabricado em Antares que lhes custa R$ 0,50). Porém, se eu vendesse Kibon em Muriqui, como era até umas décadas atrás na praia, estaria dando murros na ponta de uma faca. Isto porque faltaria mercado que me permitisse trabalhar apenas com um produto mais refinado.

Assim sendo, acredito que havendo consenso e união dos empreendedores (inclusive dos ambulantes cujas atividades interferem nos preços praticados pelo comércio), poderemos aos poucos ir mudando a cara do turismo em Mangaratiba a partir da baixa temporada e aproveitando o restinho de calor nas últimas semanas de verão. Por sua vez, a Prefeitura teria que cumprir com a parte dela através de políticas públicas ao incentivar bons eventos, capacitar os donos dos pequenos negócios, zelar pela qualidade dos serviços, melhorar a fiscalização, promover a adequada limpeza dos ambientes urbanos, dentre inúmeras outras coisas que se tornam condições necessárias para o desenvolvimento do turismo num município.

Um ótimo recomeço a todos depois do Carnaval!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Mangaratiba e a Páscoa que passa...




Esta noite eu estava assistindo ao telejornal e reparei sobre uma interessante reportagem que fala das comemorações da Páscoa em Pomerode, no sul do país. A matéria Tradição alemã colore cidade catarinense na época da Páscoa foi exibida ao ar na edição desta quarta-feira (01º/04) do Jornal Nacional e informa como os costumes dos moradores locais chega a encantar visitantes:

"Uma tradição alemã trazida para o Brasil há mais de 150 anos deixa uma cidade catarinense ainda mais bonita nessa época (...) Para as famílias de Pomerode também é a hora de montar a Osterbaum - a árvore de Páscoa. É uma tradição carregada de significado. Os galhos secos lembram a tristeza pela morte de Jesus. Já as casquinhas de ovos decoradas, são símbolo de renascimento, da alegria pela ressurreição. O costume veio com os colonizadores há mais de 150 anos. Os antigos montavam a Osterbaum dentro de casa. Não mais do que um pequeno vaso. O que os moradores de Pomerode estão fazendo, de um tempo para cá, é renovar essa tradição. A Osterbaum agora está nas ruas. No quintal das casas. (...) Quem vem de fora, se encanta com os jardins e alamedas de Osterbauns da brasileira Pomerode (...)" - destaquei

Em Mangaratiba, embora nos falte uma tradição pascoal semelhante a desses imigrantes alemães, não sabemos aproveitar as oportunidades para enfeitarmos melhor a cidade, preparando-a para recepcionar o turista neste feriado. Nem as casas, as praças ou os prédios públicos são adequadamente trabalhados para recepcionar as pessoas que nos visitam. Faltam mais painéis, desenhos, bonecos do coelhinho, ovos decorativos e, principalmente, bons eventos.

Penso que este deveria ser um momento para desenvolvermos o turismo de inverno em Mangaratiba atraindo um público diferente dos frequentadores de nossa praia no verão. Embora muitos prefiram as serras neste comecinho de outono, considero que o charme do tempo ameno pode também contribuir para uma cidade litorânea aquecendo a sua economia através de circuitos gastronômicos, feirinhas de doces ou festivais de chocolate. E seria algo que, sem dúvidas, agradaria muito as crianças, tanto as de fora como aquelas residentes no município.

Ainda dentro dessa proposta, teríamos a chance de incentivar o artesanato popular, o qual pode perfeitamente utilizar-se de material reciclado. Aliás, com a facilidade da busca de informações na internet, fica cada vez mais fácil algum órgão da Prefeitura compartilhar conteúdos diversos que ajudarão aos artesãos de todo o município na produção de seus trabalhos manuais, e com isso, terem uma ótima fonte de renda extra nesses dias. Pois dá tranquilamente para fazer artesanato de Páscoa com o uso de materiais simples tipo as garrafas PET, os potes de iogurte, copos, tecidos, EVA, caixas de leite, dentre outros.

Acredito que, com alguma dose de criatividade e um pouquinho de vontade política, muitas ideias inovadoras podem ser colocadas em prática na nossa bela Mangaratiba que, estando situada tão perto da Região Metropolitana, ainda não sabe como desenvolver essa indústria sem chaminés chamada turismo. Mas para mudarmos essa realidade, basta que tenhamos iniciativa empreendedora e uma mentalidade mais progressista, sendo certo que a agenda da cidade precisa voltar-se também para outras épocas do ano além do Réveillon e do Carnaval.

Uma feliz Páscoa a todos!


OBS: A ilustração acima refere-se à montagem da "mini cidade" do município paulista de Monte Alegre do Sul, outra cidade que investe na Páscoa. Extraí a imagem de uma página de notícias em http://www.montealegredosul.sp.gov.br/m/noticia.php?id=1231

segunda-feira, 31 de março de 2014

Turismo gastronômico: uma potencialidade a ser desenvolvida em Mangaratiba




A temporada de verão acabou e os dias com praias mais ou menos cheias devem se encerrar daqui uns três domingos e se estendendo, talvez, até o feriado estadual do dia 23/04 (São Jorge), caso o tempo também colabore. Se a natureza for generosa conosco, é possível que ainda dê algum movimento razoável de banhistas no dia do trabalhador. Só que aí já estaremos em pleno outono com aquelas ondas de frio causando imprevisíveis quedas na temperatura, sendo esse um período com menor luminosidade. Deste modo, Mangaratiba precisa buscar outras alternativas que passem a atrair turistas em todas as estações do ano.

Refletindo acerca disso, lembrei de que estamos deixando de gerar trabalho e renda no nosso município por não desenvolvermos suficientemente o turismo gastronômico. Tanto o Poder Público quanto os empresários de Mangaratiba poderiam estar aproveitando a estrutura já existente de restaurantes e de bares afim de direcioná-la para eventos de culinária. Pois, ao invés de cada empreendedor trabalhar sozinho em seu estabelecimento, todos podem se unir somando forças para que sejam criadas programações na cidade e nos distritos com cardápios específicos em cada local, os quais, por sua vez, seriam previamente divulgados através de um calendário mensal elaborado pela Prefeitura.

Se pensarmos bem, até os ambulantes do município teriam a chance de participar assim como uma micro-empresa familiar já que os eventos podem envolver desde um delicioso café da manhã na padaria do seu Zé até uma sobremesa de doces caseiros na barraca da dona Maria. Já um barzinho serviria seus saborosos petiscos enquanto um um quiosque faria pratos com peixes ou frutos do mar. Inclusive a Serra do Piloto seria envolvida nesse roteiro onde pode rolar um festival de queijos e vinhos por ser algo que combina com o clima ameno de lá.

Sendo bem trabalhada, a gastronomia pode agregar valor ao turismo em Mangaratiba, ocasião em que estaríamos buscando atrair um público mais específico que ainda desconhece os encantos desta terra. Ao contrário do verão, em que os comerciantes ganham com a quantidade, investiríamos então na qualidade. E aí, se todos forem unidos, o sucesso de uma empresa contribuirá para levantar a outra porque serão eventos da cidade capazes de refletir sobre a imagem do Município e projetando a região.


OBS: Foto acima extraída da Biblioteca Virtual do Estado de São Paulo conforme consta em http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/turismo-capital.php

quarta-feira, 5 de junho de 2013

As festas literárias de Paraty e a agenda cultural de Mangaratiba



Na manhã de hoje, eu estava lendo a nota "Turismo com proveito" do blogue Notícias de Itacuruçá, edição deste dia 05/06/2013, a qual fala sobre a Festa Literária Internacional de Paraty prevista para acontecer entre 03 e 07 de julho, conforme extraído do AngraNews:

"Considerado um dos principais eventos do calendário turístico e cultural da cidade histórica, a Festa Literária Internacional de Paraty definiu a programação da 11ª edição que será realizada de 3 a 7 de julho. A conferência de abertura estará a cargo do escritor amazonense Milton Hatoum e o autor homenageado em 2013 será o romancista alagoano Graciliano Ramos. O cantor, compositor e ex-Ministro da Cultura, Gilberto Gil foi confirmado como a atração do show de abertura. Paralelamente à FLIP, acontecem a Flipinha (para crianças) e a FlipZona (para jovens)."

Interessante ver como que, com um evento literário tão importante acontecendo todos os anos em Paraty, os demais municípios da Costa Verde não tiram um proveito turístico dessa oportunidade durante outros dias do mês de julho que é uma gostosa época de férias escolares.

Imaginem um evento semelhante ocorrendo em Mangaratiba na semana seguinte à Flip ainda que, a princípio, não tenhamos tanta expressão?

Os funcionários da Fundação Mário Peixoto deveriam ir até Paraty entre os mencionados dias 3 a 7 de julho, transportando também alunos interessados da rede pública de Mangaratiba para participarem dos trabalhos, e aproveitariam para divulgar/panfletar chamando o público presente lá para uma semana cultural na nossa cidade. Sem dúvida que algumas pessoas que vissem o material publicitário da FMP iriam querer dar uma esticadinha até nós aquecendo a economia local. E, se as atividades daqui ficarem bem organizadas, rapidamente a propaganda boca a boca se encarregaria de atrair mais gente para o ano seguinte (lembremos que em 2014 estará acontecendo no Brasil a Copa do Mundo de Futebol).

Havendo um projeto regional, Mangaratiba, Angra dos Reis e Rio Claro também se organizariam para que, em todo o mês de julho, houvesse também uma agenda literária em cada uma dessas cidades, porém em dias diferentes para não coincidirem. Recordo que, quando ainda morava em Nova Friburgo, a programação cultural do Festival de Inverno era feita junto com Petrópolis pois, em termos de turismo, é preciso pensar regionalmente já que muitos visitantes não querem permanecer num lugar só.

Quem vem a Paraty, quer também conhecer a Ilha Grande, dar uma esticada até à praia de Trindade e, se tiver disposição, fazer o belo percurso ecológico pela antiga linha de trem entre Angra e Lídice. Então por que o turista não pode dar uma espiadinha para ver o que há de bom em Mangaratiba? Por isso, precisamos estar conectados com as coisas que andam acontecendo por toda a Costa Verde, sempre lembrando que entre todas essas cidades pode haver um mercado interno precisando ser melhor explorado.

Assim, se já temos um evento em Paraty com notável referência, os mangaratibenses precisam aprender a pegar uma "carona". É o que proponho às autoridades municipais e também à sociedade para debatermos desde já.