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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Um centro de fisioterapia seria importantíssimo para Mangaratiba!




Sei que a situação financeira da cidade hoje não é nada boa, mas seria muito bom se tivéssemos em Mangaratiba uma Clínica Municipal de Fisioterapia e Reabilitação Motora.

Mesmo mantendo o atendimento fisioterápico nos postos de saúde, penso num centro de saúde na Praia do Saco. Este seria equipado com profissionais capacitados e destinado a prestar atendimento gratuito à população que necessite dessa modalidade terapêutica de reabilitação física e motora, de forma a potencializar o retorno mais breve do paciente às suas atividades produtivas.

Obviamente que para tanto teríamos que ter um serviço de transporte de pacientes incapacitados de se locomoverem com autonomia, bem como mais fisioterapeutas na nossa rede de saúde. Estes profissionais teriam que ser selecionados, por intermédio de concurso seletivo específico, e, após cumprirem os tramites legais, os aprovados se efetivariam como servidores públicos de carreira da Prefeitura lotados na Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Um grande benefício que Mangaratiba pode vir a ter com isso seria a oportunidade de se criar uma sólida e atuante equipe de fisioterapeutas em todo o Município, os quais integrariam seus conhecimentos para ajudarem na reabilitação dos pacientes em conjunto com ortopedistas e traumatologistas. Ou seja, tanto a indicação do tratamento quanto a evolução terapêutica seriam discutidas em grupo propiciando uma melhor avaliação interdisciplinar de cada caso.

Por outro lado, inúmeros projetos poderão surgir ali e se irradiarem pelos bairros e distritos, alcançando também os municípios vizinhos. Pode-se, por exemplo, treinar ali estagiários e fisioterapeutas contratados temporariamente para ministrarem cursos nos locais de convivência da terceira idade juntos com outros profissionais de saúde a fim de que as pessoas consigam envelhecer com mais qualidade de vida.

Finalmente vejo aí também a possibilidade de desenvolvermos alguns tratamentos alternativos como a acupuntura e a auriculoterapia. Assim como os médicos, os fisioterapeutas também podem dar suas "agulhadas" nos paciente, o que constitui um trabalho complementar bem interessante.

Portanto fica aí minha sugestão ao prefeito Dr. Ruy Tavares Quintanilha para que tenhamos ainda esta década um centro de fisioterapia na cidade. Pois hoje, embora a saúde em Mangaratiba seja um problema, acredito que, futuramente, poderá se tornar um dos caminhos para o nosso desenvolvimento. Algo que, se aliado ao turismo, atrairia novos profissionais, clínicas privadas, alguns cursos de graduação universitária e pacientes de fora querendo se tratar na rede privada.

Um ótimo final de semana para todos!




OBS: Fotos extraídas de uma página da Prefeitura de Farroupilha (RS) mostrando o seu Centro de Fisioterapia, conforme consta em http://www.farroupilha.rs.gov.br/novo/farroupilha-inaugura-novo-centro-municipal-de-fisioterapia/

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Homeopatia em todas as UBS de Mangaratiba!




No último artigo que publiquei aqui neste blogue, intitulado Oportunidades com a fitoterapia no SUS, tratei de um assunto que podemos considerar uma espécie das práticas integrativas e complementares na área de saúde. Porém, senti que seria necessário abordar também a questão da homeopatia e de outras terapias alternativas.

Certamente precisamos ter no SUS do nosso município outras abordagens que busquem estimular nos pacientes os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde com ênfase numa escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade. Falo de tratamentos que adotem uma visão mais ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado humano, especialmente do autocuidado.

Neste sentido, considero que a homeopatia também deveria estar amplamente presente na rede pública de saúde local através de consultas semanais em cada UBS juntamente com uma satisfatória assistência farmacêutica gratuita.

Como se sabe, a homeopatia é um sistema médico complexo de caráter holístico, baseada no princípio vitalista e no uso da lei dos semelhantes, conforme havia sido enunciada por Hipócrates no século IV a.C. Foi desenvolvida por Samuel Hahnemann, no século XVIII, após estudos e reflexões baseados na observação clínica e em experimentos realizados na época. Hahnemann sistematizou os princípios filosóficos e doutrinários da homeopatia em suas obras Organon da Arte de Curar e Doenças Crônicas. E, a partir daí, essa racionalidade médica experimentou grande expansão por várias regiões do mundo, estando hoje firmemente implantada em diversos países da Europa, das Américas e da Ásia, tendo sido introduzida no Brasil pelo francês Benoît Jules Mure no final da primeira metade do século XIX.

Contudo, foi somente cerca de 140 anos depois da chegada de Mure ao país que alguns estados e municípios brasileiros começaram a oferecer o atendimento homeopático como especialidade médica aos usuários dos serviços públicos de saúde. Mesmo assim, não passavam de iniciativas isoladas e, às vezes, descontinuadas, por falta de uma política nacional até que, em 1988, a Ciplan fixou normas para o atendimento em homeopatia nos serviços públicos de saúde (Resolução n.º 04/88) e, no ano de 1999, o Ministério da Saúde inseriu na tabela SIA/SUS a consulta médica em homeopatia. Em 03 de maio de 2006, o Ministério da Saúde publicou a Portaria n.º 971, instituindo a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde, iniciativa esta que é vista como um marco na democratização da saúde por facultar à população o direito de optar pelas terapias holísticas: homeopatia , acupuntura e fitoterapia.

Apesar de todo o tempo decorrido após a criação do SUS e a descentralização da gestão da saúde,  pode-se afirmar que Mangaratiba continua carecendo de ofertas de atendimento homeopático à sua população. Eu mesmo, quando vim morar em Muriqui, no segundo semestre de 2012, precisei descontinuar o tratamento que havia iniciado pela rede pública em outro município. E também verifiquei que são poucos os profissionais especializados na área dentro das redes credenciadas dos planos de saúde na região. De acordo com o guia médico da Unimed Costa Verde na internet, localizei apenas uma homeopata em Itaguaí cujo nome não constava no livreto do plano que eu havia obtido há um ano e pouco.

Tendo em vista os baixos custos para que seja iniciado um atendimento em homeopatia pelo SUS, através de consultas nos postos de saúde, entendo que a Prefeitura já poderia contratar médicos ainda este ano. Basta que haja uma sala e horários determinados em cada semana para a recepção dos pacientes. A princípio, o serviço começaria a ser ofertado nas UBS de maior movimento, as quais receberiam usuários de outras localidades do município conforme a proximidade do endereço residencial da pessoa. Numa etapa posterior, todas as UBS poderiam dispor de atendimento em homeopatia e seria iniciado um programa descentralizado de distribuição gratuita de medicamentos aos pacientes em que estes contariam com o serviço no próprio distrito.

Se pensarmos bem, sairá bem mais barato para Mangaratiba que se implante aqui as práticas integrativas e complementares no SUS do que a Prefeitura ficar arcado com o fornecimento de caros medicamentos alopáticos, os quais podem causar dependência e terríveis efeitos colaterais devido ao uso contínuo. Afinal, trata-se de garantir que os usuários, profissionais e simpatizantes da homeopatia, da acupuntura e da fitoterapia tenham acesso a práticas medicinais mais saudáveis, as quais respeitam a natureza do organismo e da vida. Logo, incluir a diversidade das medicinas nas práticas de preservação da saúde significa agir em busca do equilíbrio.

Portanto, lutemos para que os serviços públicos de saúde em Mangaratiba passem a oferecer terapias holísticas com consultas de homeopatia nas nossas UBS, pois todo cidadão usuário do SUS tem o direito de optar pelas formas de cuidado e tratamento da saúde que estejam de acordo com suas escolhas de vida.


OBS: Foto acima extraída de uma página da Secretaria de Saúde do Estado de Goiás, conforme consta em http://www.projetos.goias.gov.br/saude/index.php?idMateria=127856

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Oportunidades com a fitoterapia no SUS




Como se sabe, as plantas medicinais e os seus derivados, há muito, vêm sendo utilizados pela população nos seus cuidados com a saúde. Principalmente como recurso terapêutico na Medicina Tradicional Indígena, Quilombola e demais povos e comunidades tradicionais, sendo uma prática popular de transmissão oral entre gerações. Algo que muito timidamente começa a integrar complementarmente os serviços públicos de saúde, conforme os princípios e diretrizes do SUS.

Ora, Mangaratiba, assim como quase todos os municípios do país, possui um enorme potencial e oportunidades para o desenvolvimento do setor. Pois, além do conhecimento tradicional associado às plantas medicinais e da antiga tradição de uso pela população (algo que não pode se perder), contamos com a rica diversidade de espécies vegetais da Mata Atlântica e significativas áreas disponíveis no meio rural que podem ser utilizadas para o cultivo de ervas.

Assim, a ampliação das opções terapêuticas ofertadas aos usuários do SUS, com garantia de acesso a plantas medicinais, fitoterápicos e serviços relacionados à fitoterapia seria uma importante estratégia para promovermos o bem estar da população e a inclusão social. Com este propósito e com vistas à normatização das ações/serviços a ser ofertados na rede pública, pode a Prefeitura desenvolver políticas, programas e projetos para todas as unidades básicas de saúde (UBS) no município, tomando como exemplo as experiências já obtidas em outras cidades brasileiras, o que a todo momento é divulgado pela mídia.

Vale dizer que, através da Portaria GM nº 886/10, o Ministério da Saúde instituiu a Farmácia Viva no âmbito do SUS, com a finalidade de buscar a ampliação da oferta de fitoterápicos e de plantas medicinais que atenda às demandas e às necessidades locais. E, segundo o texto desta norma, cabe à Farmácia Viva realizar todas as etapas, desde o cultivo, a coleta, o processamento, o armazenamento de plantas medicinais, a manipulação e a dispensação de preparações magistrais e oficinais de plantas medicinais e fitoterápicos.

Deste modo, com observância da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), aprovada por Decreto Presidencial nº 5.813/06, que traz diretrizes para desenvolvimento de toda cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, creio ser possível desenvolvermos um projeto lindo para Mangaratiba. Algo que não somente beneficiaria os pacientes da rede pública local como também pode criar oportunidades incríveis no campo, gerando trabalho e renda para a população rural.

Sendo essas ideias bem conduzidas e levadas adiante com seriedade, Mangaratiba pode vir a se tornar até uma referência em fitoterapia no Rio de Janeiro. Através de parcerias firmadas com a Fiocruz, teríamos laboratórios e também importantes eventos na cidade. Pessoas viajariam do Rio de Janeiro para cá em busca de tratamentos alternativos e de baixo custo, o que, por sua vez, auxiliaria até no desenvolvimento do turismo.


OBS: Ilustração acima extraída de uma página da Fiocruz em http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fitoter%C3%A1picos