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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Os trechos tombados pelo IPHAN na RJ-149




Há tempos que os trechos não pavimentados da rodovia RJ-149, sob controle do IPHAN, têm se tornado alvos de reclamações entre os usuários da estrada, apontados como potenciais pontos de risco capazes de causar um acidente automobilístico na Serra do Piloto. Foi o que li na recente postagem feita pelo internauta Marco Santos no sítio de relacionamentos Facebook:

"Venho aqui demonstrar a necessidade de um povo, que há tempos pede a solidariedade a nosso prefeito, para que se tome providências, sobre nossa estrada da Serra do Piloto, agora RJ 149. Fomos agraciados pela pavimentação que realmente nos facilitou e tornou a locomoção muito mais ágil e confortável, porém 3 trechos da mesma RJ sobre controle e manutenção do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), nos traz imenso perigo, tanto em relação a violência, quanto a acidentes. Neste fim de semana, iniciando o Circuito do Forró, que está sendo promovido pela Prefeitura Municipal de Mangaratiba, com intuito de melhorar o acesso , a administração da Serra do Piloto tentou amenizar as imensas crateras formadas pelo abandono dessa instituição federal (IPHAN), já que a mesma é responsável por preservar, divulgar e fiscalizar os bens culturais brasileiros, e por consequência desse trabalho, sobre denúncia de pessoas que também necessitam, foram conduzidos à delegacia impossibilitando que os mesmos concluíssem o serviço como devido. Agora nos encontramos em dúvida: fazer algo para melhoria ou nos acovardarmos e cruzarmos os braços abandonando nosso distrito? Estamos em ano de eleição, aqui não estou fazendo política, estou fazendo um pedido: que o excelentíssimo prefeito Ruy Tavares Quintanilha, junto a Câmara legislativa, cobrem deste órgão uma ação urgente sobre esses trechos, pois os mesmos são frutos de discórdia entre moradores e a administração e sendo motivo de politicagem, onde poucos se promovem sobre a ignorância de muitos, e responsabilizam quem procura trabalhar. Precisamos sim de pessoas que gritem mas em favor de algo, não que seja covarde incitando ao erro. Aqui falo como cidadão, contribuinte, morador e eleitor, que ciente da responsabilidade conduzo minhas palavras a quem de direito for, mesmo que não sendo responsabilidade da prefeitura, a mesma pode exigir que se faça algo, pois representam o povo e a eles devem respeito." (clique AQUI para acompanhar o debate nas redes sociais)

Já encaminhei uma denúncia do caso ao Ministério Público Federal, através da Ouvidoria do órgão na internet, por entender que o IPHAN está se omitindo em relação à manutenção desses três trechos da rodovia estadual. Porém, gostaria de contribuir com minhas sugestões sobre qual poderia ser a melhor solução para o problema que motoristas e moradores da Serra do Piloto cotidianamente enfrentam ali.

Na postagem de 03/09/2015, escrevi neste blogue o artigo A histórica rodovia Mangaratiba - Rio Claro, no qual propus que a rodovia fosse transformada numa "estrada-parque", em que bastaria o governo estadual acolher o ofício da Câmara Municipal, a qual havia aprovado a Indicação de n.º 261/2015:

"INDICA AO EXMO SR. PREFEITO QUE OFICIE-SE AO EXMO SR. GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO PARA QUE TRANSFORME A RODOVIA RJ-149 QUE LIGA MANGARATIBA A RIO CLARO, EM UMA "ESTRADA-PARQUE", CONFORME PREVISÃO NO DECRETO ESTADUAL 40979 DE 2007"

Assim como o Decreto Estadual n.º 40.979/2007, mencionado no texto da indicação, temos também a Lei Estadual n.º 6371/2012, sancionada posteriormente. Esta estabelece regras de restrição e acesso de pessoas a serem observadas numa Estrada-Parque, tendo em vista que a mesma atravessa unidades de conservação da natureza de domínio público, valendo lembrar que a RJ-149 corta o Parque Estadual do Cunhambebe (PEC). Porém, o objetivo, por enquanto, seria tão somente o reconhecimento da rodovia dentro da referida categoria de Estrada-Parque, sendo que qualquer interessado pode propor na forma do art. 3º do Decreto, seja a Prefeitura de Mangaratiba, nossa Câmara Municipal, uma ONG ou OSCIPS, uma associação de moradores local bem como mesmo uma pessoa pessoa física. Basta que faça um requerimento fundamentado contendo um inventário dos atributos exigidos:

"Art. 3º - O interessado no estabelecimento de uma estrada-parque deverá realizar inventário prévio dos atributos naturais, paisagísticos, históricos, culturais, arqueológicos, paleontológicos e recreativos da região atravessada pela via proposta, de forma a reunir elementos que a justifiquem.

Parágrafo único: O projeto de estabelecimento de uma estrada-parque, acompanhado do inventário dos atributos da região, será submetido, quando couber, à Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA, que procederá ao respectivo processo de licenciamento ambiental, ouvido o órgão da unidade de conservação afetada."

Certamente que, na atualidade, caberia ao INEA, e não mais à extinta FEEMA, proceder o licenciamento ambiental da rodovia para esta ser transformada numa Estrada-Parque que ouviria o conselho do PEC e pode também realizar uma ou mais audiência pública nas comunidades envolvidas. E, neste caso, várias autoridades se fariam presentes para opinarem juntamente com a população.

Ressalto que a ideia de termos ali uma Estrada-Parque vai além da conservação desses trechos não pavimentados da pista, coisa que o IPHAN pode simplesmente transferir à Prefeitura, ao DER ou a quem se tornar responsável pela via. O objetivo seria também termos um turismo desenvolvido sustentavelmente na região, contribuindo para aumentar o monitoramento dos órgãos públicos e ainda valorizarmos a Serra do Piloto sob vários aspectos. 

Nada impediria depois a colocação de um simbólico "pedágio verde" com isenção para os moradores de Mangaratiba e de Rio Claro, bem como das empresas de transporte de passageiros. Aí, com o dinheiro da arrecadação, parte da receita poderia ser destinada à conservação desses trechos de interesse histórico não pavimentados e também para fazer algumas melhorias estruturando melhor a visitação turística.

Verdade é que temos um tesouro precioso dentro do nosso Município, mas que, infelizmente não estamos sabendo trabalhar. E, deste modo, pode muito bem o DER depois conceder a administração da RJ-149 a um consórcio intermunicipal formado por Mangaratiba e Rio Claro ou ainda para a iniciativa privada. Logo, aquilo que hoje é visto como um problema para muitos viraria a solução do nosso único distrito serrano. Aliás, seria o que está faltando hoje para unir os roteiros das estâncias turísticas paulistas (Cunha, São José do Bairro e Bananal) com os da Costa Verde, criando um interesse de visitação entre a serra e o mar. 




Do limão, podemos fazer uma limonada. Que a Serra do Piloto consiga sair desse atoleiro!


OBS: Fotos acima extraídas da página do senhor Marco Santos no Facebook.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A histórica rodovia Mangaratiba - Rio Claro




Em nossa região de Mangaratiba, temos umas das mais antigas estradas de rodagem do país que é a RJ-149, a qual dá acesso ao município vizinho de Rio Claro numa extensão de aproximadamente 40 km. Trata-se de uma rodovia histórica construída por D. Pedro II em 1856 para acessar o Porto de Mangaratiba, ligando ao mar a antiga São João Marcos, o qual foi um dos mais ricos municípios do país entre o final do século XVIII e meados do século XIX e que hoje é um Parque Arqueológico gerado a partir de sua inundação por ocasião das obras do complexo hidrelétrico de Lajes da Light. Seu objetivo, na época, foi facilitar o escoamento da produção cafeeira do Vale do Paraíba Fluminense e permitir a entrada de mão-de-obra escrava para a lavoura. 




Indispensável destacar que a RJ-149 atravessa uma importante unidade de conservação da natureza que é o Parque Estadual do Cunhambebe, havendo antigas construções da época imperial (as ruínas do velho teatro e o histórico Bebedouro da Barreira) que podem ser encontradas no trajeto, além de um lindo mirante a 200 metros de altitude. Deste ponto, avistamos toda a cidade de Mangaratiba, parte da área rural do Município, sua baía e bem ao fundo a linda e característica silhueta do relevo da Ilha Grande, como se verifica nas duas próximas fotos. 




Apesar das obras de reforma no começo da década, a estrada ainda precisa de melhorias realmente significativas que agreguem um maior valor turístico e ecológico. Há que se pensar em ciclovias e caminhos para pedestres, recuos que permitam breve estacionamento para contemplação dos mirantes naturais, bem como para estacionamento que dê acesso a serviços de alimentação, áreas de lazer, de descanso e de conveniência. Além disso, necessitamos também de pórticos, guaritas para o controle do acesso de veículos, zoopassagens que permitam a passagem da fauna em segurança, e a construção de um centro de visitantes com informações sobre os atrativos da região, sobre a Mata Atlântica em geral e sobre outros temas pertinentes. Pois, através de tais melhorias, poderemos desenvolver um turismo de qualidade na região fazendo com que a Serra do Piloto torne-se um destino realmente procurado em Mangaratiba.




De acordo com o artigo 2º do Decreto Estadual n.º 40.979, de 15 de outubro de 2007, a Estrada-Parque trata-se da via automotiva que, inserida no todo ou em parte em unidade de conservação da natureza, possua características que compatibilizem sua utilização com a preservação dos ecossistemas locais, a valorização da paisagem e dos valores culturais e, ainda, que fomentem a educação ambiental, o turismo consciente, o lazer e o desenvolvimento socioeconômico da região onde está inserida. E foi pensando nessas questões, eis que, na sessão de 18/08 do corrente ano, a Câmara de  Mangaratiba aprovou a Indicação de n.º 261/2015, de autoria do vereador José Maria de Pinho (PSB), requerendo a expedição de ofício ao governador Pezão para que o Estado transforme a rodovia RJ-149 numa “Estrada-Parque”, determinando a realização do inventário prévio dos atributos naturais, paisagísticos, históricos, culturais, arqueológicos, paleontológicos e recreativos da região, conforme previsto no referido Decreto. 




Assim sendo, venho compartilhar aqui essa proposta a fim de que a RJ-149, que é a linda rodovia que liga Mangaratiba a Rio Claro, atravessando o Parque Estadual do Cunhambebe, seja o quanto antes transformada numa Estrada-Parque, pelo que peço o apoio das autoridades dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro, além da sociedade fluminense em geral.

Uma ótima quinta-feira para todos!


OBS: Imagens acima extraídas dos portais da Prefeitura de Mangaratiba, Governo do Estado do Rio de Janeiro (segunda) e Wikimapia (última).

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A estrada de Ingaíba deveria virar uma rodovia-parque!




Na postagem de 09/06/2014, NÃO ao asfalto de Ingaíba!, manifestei-me contra a pavimentação da estrada que liga a Rio-Santos até às localidades de Ingaíba e Batatal. Na época, fui duramente criticado nas redes sociais e praticamente não consegui apoio dentro da sociedade mangaratibense. Cheguei a denunciar o fato perante o Ministério Público Estadual pedindo a paralisação das obras, o que gerou o Protocolo n.º 2014.01028402. Contudo, a minha representação foi indeferida de plano pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo de Angra dos Reis.

No referido texto publicado aqui do blogue, argumentei o seguinte contra esse asfaltamento na região rural de Ingaíba, tendo, inclusive, feito comparações com o que ocorreu em Mazomba, no município vizinho de Itaguaí:

"(...) é preciso ponderar a respeito de todas as outras consequências (positivas e negativas) decorrentes de uma obra dessas, sendo certo que nem sempre asfalto é sinônimo de progresso. Menos ainda indica a existência de qualquer desenvolvimento econômico e social no lugar (...) toda essa facilidade no acesso trás consigo novos problemas como o aumento da violência, acidentes de trânsito (além das colisões de veículos, existe o risco de atropelamentos tanto de ciclistas, como de pedestres e de animais), turismo predatório, expansão imobiliária desordenada e a degradação ambiental da localidade. Se bem refletirmos, o asfalto não trouxe benefícios tão significativos para a região de Mazomba, zona rural do município vizinho de Itaguaí. No final do ano passado, estive lá pessoalmente e, enquanto viajava na van, escutei um cidadão reclamando que já não era mais possível andar tranquilamente de bicicleta por ali porque os ciclistas não tinham segurança devido à falta de um acostamento adequado. E, quando iniciei minha caminhada rumo à Serra do Piloto, subindo pelos Sertões de Rio Claro, moradores alertaram-me sobre os problemas de criminalidade que ultimamente estavam acontecendo na cachoeira de Mazomba (...)"

Mas agora que "Inês é morta", como diria o escritor lusitano Luís de Camões, bem que eu gostaria que estivesse errado e ofuscado por um radicalismo excessivo de ecologista chato. Pois, infelizmente, tenho recebido más notícias acerca de Ingaíba e Batatal, inclusive falando sobre a favelização do lugar que já estaria acontecendo através de ocupações. E dias atrás, quando troquei mensagens com a professora Elizabeth Antunes que me leciona por lá, perguntei a ela sobre as condições da via e a mesma me deu esta resposta em 05/08: "(...) Realmente, a estrada ficou perigosa e sem acostamento. Vários acidentes já aconteceram. (...)"

O fato é antes a falta de pavimentação inibia o acesso de pessoas, quer fossem visitantes ou futuros moradores. Tal dificuldade ajudava a selecionar a frequência do lugar contribuindo para manter as características bucólicas de uma região rural. Tudo bem que quem residia em Batatal precisava conviver com a demora na viagem e a poeira, mas hoje a maior preocupação tende a ser o aumento da violência.

Se agora a pista já está asfaltada, então é melhor é que seja alargada e monitorada, podendo muito bem ser transformada numa rodovia-parque. De acordo com o Decreto n.º 40979, assinado pelo ex-governador Sérgio Cabral em outubro de 2007, numa estrada-parque devem ser implantados redutores de velocidade, ciclovias e vias para pedestres, mirantes naturais, pontos de parada (estacionamentos ou áreas de lazer), guaritas, sinalização, centro de visitantes, um conselho gestor e “zoopassagens” – túneis subterrâneos para passagem de animais.

No caso da estrada de Ingaíba, trata-se de uma via do Município ainda que o asfaltamento tenha sido feito com recursos do governo estadual. Entretanto, Mangaratiba pode muito bem inspirar-se em parte na norma estadual, sendo que nada impede o INEA de manifestar interesse pela área devido à proximidade em relação ao Parque Estadual Cunhambebe. Mas se vier a ser uma rodovia-parque estadual, o artigo 2º do decreto exige que a via automotiva esteja inserida no todo ou em parte em unidade de conservação da natureza, não podendo se situar apenas no entorno.

Uma vez criada a estrada-parque, o passo seguinte pode ser a colocação de um pedágio em que moradores ocupantes de terrenos regularizados e pessoas que trabalham no lugar ficariam isentos do pagamento. Entretanto, o produto da arrecadação ajudaria na manutenção da via sendo certo que a cobrança valorizaria a região fazendo uma seleção no tocante à frequência de turistas.

Assim sendo, compartilho esta sugestão com a sociedade mangaratibense na expectativa de que a mesma venha a ser analisada pela nossa Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca. E, caso a ideia dê certo em relação a Ingaíba e Batatal, outros bairros de Mangaratiba poderiam ser depois contemplados com futuras estradas-parques.


Decreto n.º 40979, de 15 de outubro de 2007

DEFINE OS PARÂMETROS PARA O ESTABELECIMENTO DE ESTRADAS-PARQUE NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições que lhe são conferidas pelo art. 145, inciso IV, da Constituição do Estado, e tendo em vista o que consta do Processo no. E-07/513/2007,

DECRETA:

Art. 1o. Ficam instituídos os parâmetros para o estabelecimento de estradas-parque no Estado do Rio de Janeiro.

Art. 2o. Considera-se estrada-parque a via automotiva que, inserida no todo ou em parte em unidade de conservação da natureza, possua características que compatibilizem sua utilização com a preservação dos ecossistemas locais, a valorização da paisagem e dos valores culturais e, ainda, que fomentem a educação ambiental, o turismo consciente, o lazer e o desenvolvimento socioeconômico da região onde está inserida.

Art. 3o. O interessado no estabelecimento de uma estrada-parque deverá realizar inventário prévio dos atributos naturais, paisagísticos, históricos, culturais, arqueológicos, paleontológicos e recreativos da região atravessada pela via proposta, de forma a reunir elementos que a justifiquem.

Parágrafo único: O projeto de estabelecimento de uma estrada-parque, acompanhado do inventário dos atributos da região, será submetido, quando couber, à Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA, que procederá ao respectivo processo de licenciamento ambiental, ouvido o órgão da unidade de conservação afetada.

Art. 4o. Após obtenção da Licença de Instalação - LI - será firmado Termo de Cooperação entre o proponente da estrada-parque, o órgão gestor da unidade de conservação afetada e o órgão rodoviário competente, visando acompanhar a sua implementação.

Art. 5o. O estabelecimento das estradas-parque deve, sempre que possível ou recomendado, pelo órgão ambiental competente, contar com as seguintes características estruturantes, a serem definidas no respectivo projeto de licenciamento:

I. Traçado - deve seguir o curso menos impactante possível, reduzindo ao máximo as interferências no meio físico, tais como cortes de taludes, aterros, drenagens de áreas úmidas, cruzamentos de cursos d'água e ações afins.

II. Contenções de encosta e cortes de taludes - devem respeitar ao máximo a geologia e a geomorfologia locais, e provocar o menor impacto paisagístico possível.

III. Pavimentação - deve compatibilizar as necessidades de tráfego às especificidades físicas locais, tais como relevo, clima, geologia, geomorfologia, hidrologia e outras, e priorizar a utilização de materiais menos poluentes.

IV. Redutores de velocidade - podem ser instalados para a adequação da velocidade em determinados trechos.

V. Ciclovias e vias para pedestres - sempre que possível devem ser previstas no projeto vias próprias para o trânsito de ciclistas e pedestres, unindo pontos de parada, mirante naturais, em trechos que visem à interpretação natural e histórica e, ainda, quando necessário à segurança dos mesmos.

VI. Mirantes naturais - sempre que houver paisagens notáveis, e as condições locais permitirem, devem ser feitos recuos que permitam breve estacionamento para contemplação das mesmas.

VII. Pontos de parada - podem ser feitos, se cabíveis, recuos com estacionamento para acesso a serviços de alimentação, áreas de lazer, de descanso e de conveniência.

VIII. Ocupação lindeira - deve ser evitada e, quando inevitável, deve ocorrer apenas em trechos já alterados pela ação antrópica, privilegiando, se for o caso, atividades voltadas para o turismo ecológico e rural, o lazer e a valorização ambiental do entorno, sendo vedada a instalação de engenhos publicitários ao longo da estrada-parque.

IX. Guaritas - podem ser erguidas guaritas para o controle do acesso de veículos, limitando sua passagem quando necessário.

X. Zoopassagens - nos trechos situados no interior de unidades de proteção integral, ou em outros considerados necessários, devem ser construídas estruturas que permitam a passagem da fauna sob ou sobre a estrada-parque em segurança, que vise garantir o fluxo gênico e a integridade física da mesma.

XI. Pórticos - devem ser colocados na entrada e na saída do trecho contemplado como estrada-parque, indicando o seu nome, percurso, órgãos envolvidos e outras informações úteis aos visitantes.

XII. Centro de Visitantes - deve haver nos trechos iniciais da estrada-parque um Centro de Visitantes que disponibilize informações sobre os atrativos da região listados no art. 2o., sobre a Mata Atlântica em geral e sobre outros temas pertinentes.

XIII. Sinalização - além da sinalização rodoviária normal, deve haver sinalização interpretativa acerca dos atrativos da região listados no art. 2o.

XIV. Conselho Gestor - a estrada-parque poderá ter um Conselho Gestor de caráter consultivo, formado por membros dos órgãos envolvidos, da sociedade civil e da iniciativa privada, em forma a ser estabelecida por Resolução do Secretário de Estado de Ambiente.

Parágrafo único - Observadas as peculiaridades regionais, pode o órgão ambiental competente exigir que sejam implantadas outras características estruturantes além das previstas nos incisos I a XIV deste artigo.

Art. 6o. Será estimulado o turismo ecológico e, quando for o caso, o rural ao longo das estradas-parque, como forma de valorizar os atributos naturais e históricos presentes na região e aliar o seu desenvolvimento socioeconômico à preservação ambiental.

Art. 7o. Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2007

Sérgio Cabral
Governador


OBS: Imagem acima feita pela professora Sra. Elizabeth Antunes e extraída de sua página na rede social do Facebook.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Que a Rio-Santos vire uma estrada-parque!




No dia 09/06, o governo federal anunciou a privatização de mais um pedaço da BR-101 dando continuidade ao seu Programa de Investimentos e Logística (PIL). Trata-se dos 357 km de extensão da rodovia Rio-Santos entre o Rio de Janeiro e Ubatuba, no litoral norte paulista. A previsão é que o leilão se realize em 2016 e sejam investidos R$ 3,1 bilhões, incluindo também o Arco Metropolitano, o qual liga a BR 101, no município de Itaboraí, à Baixada Fluminense.

A meu ver, a concessão desta estrada à iniciativa privada, além constituir de uma alternativa para a conclusão das obras do Arco Metropolitano, poderá ser benéfica para o desenvolvimento de um turismo de qualidade aqui na região da Costa Verde. Isto porque, com os investimentos previstos, teremos a ampliação de capacidade da Rio-Santos até Ubatuba, o que incluirá a totalidade o trecho que atravessa Mangaratiba.

Além disso, há que se pensar na segurança dos motoristas que usam a BR-101 pois, como se sabe, a rodovia Mário Covas é bastante sinuosa e possui pista simples, sendo muitos os acidentes registrados anualmente aqui. Por isso, há que se promover obras de alargamento que permitam a duplicação da pista, sendo fundamental a perfuração de novos túneis, o que aliviaria muito os engarrafamentos em Mangaratiba.

Cercada por áreas de Mata Atlântica, a rodovia corta diversos destinos turísticos, como Paraty, Angra dos Reis, Mangaratiba e Caraguatatuba, conduzindo o viajante a cenários incríveis. Em diversos pontos dá para avistar locais como a Marambaia e Ilha Grande, numa beleza de tirar o fôlego. Principalmente por causa da proximidade entre montanhas e praias, havendo ainda alguns recantos paradisíacos.

A meu ver, é importante que essa privatização tenha por foco o desenvolvimento da atividade turística. Há que se incluir no projeto a construção de uma ciclovia, ideia que já apresentei neste blogue em 17/09/2013 (ler artigo Que tal uma ciclovia para a Rio-Santos?). Devemos lembrar que uma das tendências dos países de Primeiro Mundo é permitir que as pessoas possam viajar pedalando nas suas bicicletas. É o que muitos jovens costumam fazer passeando pela Europa. Logo, se o governo federal atentar para isto, poderemos fazer com que a Rio-Santos venha a se tornar uma verdadeira estrada-parque.

Havendo interesse do governo a esse respeito, nós moradores ganharíamos mais qualidade de vida, tendo uma opção segura, ecológica e saudável de lazer. Isto sem nos esquecermos de que a bicicleta é ainda um meio de locomoção usado por vários trabalhadores e estudantes em suas rotinas diárias dentro de cada distrito de Mangaratiba. Ou seja, com uma ciclovia na Rio-Santos, os riscos de atropelamento na estrada ficariam menores e nos tornaríamos menos dependentes dos serviços prestados pela viação Expresso.

Fui informado de que para esta sexta-feira (03/07) está agendada uma reunião em Angra dos Reis a fim debater a privatização da Rio-Santos. Soube também que o evento teria sido marcado para às 18 horas na Casa de Cultura Laranjeiras (Largo do Mercado, Praça Zumbi dos Palmares, 125, Centro do Município vizinho). Por se tratar de uma audiência pública, qualquer cidadão pode participar e fazer uso da palavra dando suas opiniões a respeito do assunto.


OBS: A imagem acima refere-se a um trecho da Rio-Santos em Angra dos Reis (Foto: Reprodução/TV Rio Sul).

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Que tal uma ciclovia para a Rio-Santos?



Muito se fala na duplicação da perigosa BR-101. Algumas pessoas dizem que uma das principais causas dos engarrafamentos nos dias de maiores movimentos seriam os túneis estreitos, tal como costuma ocorrer entre Muriqui e Itacuruçá. Já eu considero que a estrada está precisando também é de uma ciclovia - única compensação ambiental capaz de justificar as danosas obras de alargamento da pista.

Tendo em vista a geografia da nossa região, cheia de morros cobertos do verde da Mata Atlântica que acompanha o litoral sul fluminense, não deixa de ser um grande risco duplicar a Rio-Santos. Obras deste tipo acabam provocando inúmeros pontos de instabilidade nos terrenos, além da inevitável supressão da vegetação nativa. Com isso, passamos a ter, nos períodos de chuvas fortes, várias quedas de barreiras sendo que certos deslizamentos de terra podem ser fatais para motoristas e moradores. Logo, há sempre que se fazer as devidas ponderações diante de decisões assim.

Acontece que, quando o progresso supera o interesse conservacionista, tornando-se justificável abrir ou alargar uma rodovia, deve-se ajustá-lo a um padrão mais atual. E, neste sentido, entendo que é preciso contemplar os interesses ecológico e turístico de modo que a Rio-Santos venha a se tornar uma verdadeira estrada-parque, dispondo, inclusive, de uma opção cicloviária.

Não nego que a duplicação da pista atrairia mais turistas para Mangaratiba. Contudo, é o turismo de qualidade que precisamos desenvolver de modo que  todos os municípios da Costa Verde tornem-se mais procurados por visitantes estrangeiros e de outros estados do Brasil. E aí devemos lembrar que uma das tendências dos países de Primeiro Mundo seria permitir que as pessoas viagem pedalando nas suas bicicletas. É o que muitos jovens costumam fazer passeando pela Europa.

Fico inconformado em ver uma região tão bonita como a nossa ter o seu potencial tão mal aproveitado Só o percurso da Rio-Santos já proporciona cenários de grande beleza contemplativa. Sem poluir a nossa atmosfera, o turista poderia conduzir-se com o seu veículo limpo até praias, comunidades e cachoeiras. Atravessaria municípios litorâneos nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, inclusive a nossa tão pouco divulgada Mangaratiba. O tempo de permanência desses visitantes seria maior.

Por outro lado, vejo que nós moradores ganharíamos mais qualidade de vida, tendo uma opção segura, ecológica e saudável de lazer. Isto sem nos esquecermos de que a bicicleta é ainda um meio de locomoção usado por vários trabalhadores e estudantes em suas rotinas diárias dentro de cada distrito de Mangaratiba.

Portanto, tendo em vista a existência de propostas de alargamento da Rio-Santos, torna-se apropriado que seja contemplada a ideia construção de uma boa ciclovia com uma divisória separando-a da pista de rodagem dos automóveis e com a proibição da passagem de motos ou de uso indevido como estacionamento. Assim, a nossa querida BR-101 viraria uma idealizada estrada-parque com o devido respeito ao meio ambiente e se compatibilizando com o melhor aproveitamento turístico regional.


OBS: Foto extraída do site do governo federal em http://www.brasil.gov.br/imagens/noticias/imagens-2011/janeiro/12/dnit-realiza-reforco-na-encosta-da-rodovia-rio-santos/view