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domingo, 6 de maio de 2018

Precisamos defender o direito de acompanhamento a todos os pacientes!



Fui hoje com minha esposa Núbia à Unidade Básica de Saúde (UBS) de Muriqui, situada na Rua Bahia, no Centro do Distrito, Município de Mangaratiba, RJ, e me deparei com um aviso proibindo a entrada de acompanhantes dos pacientes atendidos no seu setor de emergência. Vários cartazes afixados pelos corredores diziam que só é permitida a entrada dos acompanhantes se o paciente for idoso ou criança. 

Embora o único médico que estava lá de plantão permitiu-me acompanhá-la no atendimento, fui informado por funcionários do local que tal restrição varia conforme o jeito de trabalhar do plantonista.

Acontece que este tipo de procedimento adotado pela UBS é flagrantemente desumano pois todo paciente deve ter direito a um acompanhante, não importando a idade da pessoa ou ainda se ela é portadora de deficiência ou não. E isto precisa ser reconhecido também nas consultas e nas internações, ficando sempre a critério do paciente (e nunca do médico) dizer se quer ou não a presença de quem lhe acompanhará no atendimento. Pois, de acordo com o item 26 da Portaria do Ministério da Saúde nº 1286, de 26/10/93, tal direito é amplamente reconhecido como se pode ler a seguir:

"O paciente tem direito a acompanhante, se desejar, tanto nas consultas, como nas internações. As visitas de parentes e amigos devem ser disciplinadas em horários compatíveis, desde que não comprometam as atividades médico/sanitárias. Em caso de parto, a parturiente poderá solicitar a presença do pai".

Certamente que esse posto de saúde não é o único no município e do país que atua dessa maneira! Há instituições públicas e privadas que agem com uma falta de humanidade igual ou pior. Recordo que, em 2010, quando ainda morávamos em Nova Friburgo e minha esposa ficou vários dias internada no Hospital Maternidade pertencente ao município de lá para fazer uma curetagem (na ocasião ela tinha perdido o bebê com oito semanas de gestação), não me deixaram acompanhá-la. Durante o longo tempo em que Núbia permaneceu ali, eu mal podia estar com ela no curto horário de visita que não chegava a duas horas e ainda tive dificuldades para conseguir falar com alguns médicos da unidade já que alguns muito mal me receberam para dar informações.

Ora, até quando a saúde continuará sendo um serviço tão desumano no nosso município e no nosso país?!

No caso da UBS de Muriqui, aqui no 4° Distrito de Mangaratiba, trata-se de uma instituição pública, integrante do SUS, e que deveria seguir uma linha de humanização da saúde. Porém, a questão está bem além disso pois envolve os direitos básicos de qualquer ser humano e se relaciona com a dignidade de qualquer pessoa que, ao passar por problemas de saúde, pode sentir-se fragilizada nessas horas de dor e, portanto, ter a necessidade de que algum amigo, parente ou cônjuge fique ao seu lado.

Sem levar nada para o lado pessoal ou político-partidario, estarei encaminhando esse caso ao Ministério Público a fim de que providência sejam tomadas pois entendo que, em via de regra, a presença do acompanhante é um direito que precisa ser respeitado. E aproveito para parabenizar ao médico que nos atendeu por não ter impedido o meu ingresso e nem a minha permanência na emergência.


Ótimo domingo a todos!

domingo, 15 de janeiro de 2017

No aguardo do prontuário eletrônico




Conforme noticiado recentemente no portal da Prefeitura na internet, eis que as secretarias de Saúde e Tecnologia da Prefeitura de Mangaratiba iniciaram a implantação do sistema de Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) nas unidades de atenção básica do Município (ler matéria Mangaratiba vai adotar Prontuário Eletrônico do Cidadão na rede de saúde de 10/01/2017). Segundo a postagem produzida pela Secretaria de Comunicação e Eventos, com atribuição de créditos autorais a Claud Bernard Louzada,

"O sistema e-SUS/AB PEC é destinado a municípios cujas Unidades Básicas de Saúde são informatizadas e contam com profissionais capacitados para apoiar sua implantação. A primeira versão do programa possui ferramentas para cadastro dos indivíduos, gestão da agenda dos profissionais e atendimento individual. A versão seguinte do sistema já prevê inclusão de outras funcionalidades como abordagem familiar, controle de imunização, prontuário de saúde bucal, gestão da lista de espera de encaminhamentos, gestão do cuidado a doenças crônicas e geração de relatórios dinâmicos (...) Segundo Luiz Vieira, o objetivo é melhorar a qualidade do atendimento médico no município, criando mecanismos de controle, avançando numa nova perspectiva, uma gestão informatizada, que evita fraudes e perdas desnecessárias. O PEC permitirá que os médicos consultem o histórico do paciente, com informações de diagnósticos, atendimentos, exames e medicações passadas (...) O Ministério da Saúde fornece gratuitamente o software às prefeituras que solicitarem o sistema. Para implantar o PEC, basta a UBS ter um computador conectado à internet para baixar o sistema. A secretaria de Governo, Ciência e Tecnologia será parceira da secretaria de Saúde na implantação do sistema. Técnicos estarão a partir da próxima semana dando todo o suporte necessário com treinamentos para os funcionários da secretaria de Saúde no Teleinfo de Conceição de Jacareí, e na Escola Caetano de Oliveira, em Itacuruçá, distritos escolhidos como pilotos do programa."

O fato é que inserção do PEC de pacientes do SUS nas UBS é uma iniciativa que vem sendo adotada no país inteiro há alguns anos e vários municípios já se encontram bem na nossa frente por terem tomado a iniciativa de simplesmente concretizarem algo que fora planejado pelo governo federal. Talvez as instabilidades políticas de Mangaratiba no decorrer da década expliquem o porquê de tanta demora. Porém, não vem ao caso discutirmos nesta postagem esses problemas passados pois o importante é voltarmos os olhares para o presente e o futuro sendo certo que a inovação vai trazer significativas melhorias para os usuários do SUS em diversos sentidos.

Assim sendo, não muito tempo depois da publicação feita pela Prefeitura em seu site na internet, o vereador tucano Hélder Rangel expôs um pertinente comentário nas redes sociais a respeito do assunto, tendo em vista que o prontuário eletrônico foi uma de suas propostas como candidato nas eleições de 2016 pelas quais se comprometeu a lutar na hipótese de eleito:

"Bom dia!!! Meus amigos.
Em nossa caminhada levamos dezenas de propostas para uma Mangaratiba cada vez mais humanizada na saúde. 
E esta semana já tive uma boa notícia vindo da Prefeitura de Mangaratiba. 
As secretarias de Saúde e Tecnologia iniciaram o processo para a implantação do PRONTUÁRIO ELETRÔNICO. 
O projeto piloto começa, em breve, por Itacuruçá e Jacareí. 
Faço questão de acompanhar de perto, pois foi um dos projetos que apresentei para vocês duarante a campanha." (clique AQUI para acompanhar a postagem no Facebook)


Confesso que admirei muito a postura do novo edil quanto aos interesses do nosso Município. Pois, além de ter mantido a lembrança de seus compromissos de campanha (um deles realizado logo no comecinho de seu mandato), embora desobrigado a alcançar o resultado, houve o reconhecimento de que um governo diverso daquele que fora apoiado pelo seu partido tomou a iniciativa correta em implantar o prontuário eletrônico em Mangaratiba. 

Ainda que o prontuário eletrônico se trate atualmente de uma padronização exigida pelo governo federal, quando este lançou em outubro do ano passado uma nova versão do programa, o e-SUS/AB (em que o repasse de recursos de saúde para os municípios tornou-se vinculado ao envio dos dados dos brasileiros que usam serviços de atenção básica do SUS para Brasília), precisamos considerar a pronta iniciativa dos gestores locais em cumprir essa determinação logo na primeira quinzena de janeiro. Pois, se o atual secretário de saúde não fosse um profissional comprometido, ele poderia simplesmente ter executado a obrigação depois do Carnaval bastando responsabilizar o seu antecessor.

Até outubro de 2016, de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 76% das UBS ainda registravam o histórico do paciente em papel! Os restantes das unidades usavam alguma versão de prontuário eletrônico, quer fosse um programa anterior ofertado pelo governo federal ou uma versão da iniciativa privada. Mas, no caso de Mangaratiba, mesmo com um médico no comando da Prefeitura até o dia 01/01, as fichas de atendimento e os prontuários continuavam sendo em papel, tendo se tornado comum ouvirmos queixas de usuários do SUS sobre a perda de tais documentos.

Com o lançamento do PEC, poderá ser eliminado quase totalmente o uso de papel (o sistema antigo provavelmente só deverá ser usado nas situações de falta de energia ou eventuais panes no sistema). E, além de poder ajudar os pacientes nas emergências, o recurso também poderá ser usado para registrar visitas do Programa Saúde da Família (PSF) e dos agentes comunitários da saúde no controle do mosquito Aedes aegypti quando estiverem indo de casa em casa.

Além do mais, dentro dessa versão do programa, o paciente terá acesso aos seus dados via internet, no que diz respeito às informações relacionadas ao próprio histórico de saúde, como pedidos de exame, agendamentos, encaminhamentos para especialistas e o fornecimento de remédios. E, caso seja verificado que há algum serviço não recebido, o interessado poderá cobrar o seu direito perante a Ouvidoria do Ministério da Saúde, ligando  diretamente para o telefone 136. Aliás, até a produção de provas, numa eventual ação judicial, ficará facilitada bastando o juiz conferir os dados no sistema antes de proferir qualquer decisão.


Enfim, vamos comemorar essa boa notícia e acompanhar a total implantação do PEC em todo o Município, incluindo a UBS de cada localidade, bem como o HMVSB e as unidades especializadas a exemplo do CAPS. Pois creio que um dos principais problemas a ser resolvido em Mangaratiba seja mesmo a saúde, de modo que o uso da informatização poderá ajudar muito a controlar e a prevenir situações indesejáveis.


OBS: Créditos autorais da primeira foto atribuídos a Nândria Oliveira (arquivo do Ministério da Saúde), sendo a última também extraída de uma página do governo federal. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Sobre as doações de sangue na Costa Verde




Nem todos sabem, mas o Hemonúcleo de Angra dos Reis é responsável pelo fornecimento de sangue às cidades de Mangaratiba, Paraty e Rio Claro. Porém, a unidade vive necessitando de doações voluntárias para que o seu estoque se mantenha normalizado. O número ideal seriam 20 doações por dia, em que a maior carência é tipo O-, por ser mais raro.

Sou morador de Muriqui e lamento muito o fato de não haver uma mobilidade de transportes razoável para que o doador de sangue de Mangaratiba consiga facilmente prestar o seu ato de solidariedade. Pois, além da viagem até Angra dos Reis ser longa, os voluntários podem precisar de até mais de duas conduções apenas para chegarem até o hemonúcleo, o que implica em gastos de dinheiro e de tempo 

Penso que poderia haver campanhas periódicas de doação de sangue em cada um dos municípios da Costa Verde através da compra de uma unidade móvel, o que facilitaria muito o acesso dos doadores. No mínimo, duas semanas por ano, preferencialmente nos meses de junho e de dezembro (por antecederem as férias escolares), seriam feitas coletas nas principais comunidades em que uma equipe do hemonúcleo viria até o local e poderia contar com o apoio dos profissionais de saúde do respectivo município visitado.

Outra ideia viável, sem precisar excluir de imediato a anterior, seria a criação de um outro hemonúcleo em Itaguaí, o que facilitaria muito o acesso não só dos doadores do município vizinho como também de Seropédica e da maioria dos distritos litorâneos de Mangaratiba. Isto porque basta uma única condução para chegarmos até lá.

Verdade seja dita que, devido aos frequentes acidentes que ocorrem na rodovia Rio-Santos, é fundamental que o estoque de sangue na Costa Verde mantenha-se sempre abastecido. Principalmente na alta temporada como costuma ocorrer no Reveillon, férias de janeiro, Carnaval, outros feriados e no recesso escolar de julho.


OBS: Imagem acima extraída do Blog da Saúde do Governo Federal em http://www.blog.saude.gov.br/570-perguntas-e-respostas/34770-seis-passos-para-ser-um-doador-de-sangue

sábado, 8 de agosto de 2015

Junqueira merece um posto de saúde!




É fundamental que se garanta aos cidadãos um desenvolvimento satisfatório através de um atendimento de saúde que seja digno e de qualidade. Porém, para que isso de fato aconteça, deve a ampliação do atendimento tornar-se efetiva, chegando às populações de todos os bairros e distritos do nosso Município.

Neste sentido, considerando que a comunidade de Junqueira tem crescido nos últimos anos, o bairro precisa ganhar o seu posto de saúde, tratando-se de uma localidade relativamente distante do Hospital Municipal Victor de Souza Breves em que o acesso ao Centro de Mangaratiba fica congestionado devido ao aumento do número de veículos que trafegam pela passagem do Corte na Avenida Litorânea. Tal providência torna-se imprescindível principalmente para resolver os casos de urgência médica.

Além disso, a construção do posto de saúde no Junqueira não apenas pode melhorar a qualidade de vida de sua população residente (e de veranistas), como também poderá fornecer melhores condições para a execução de programas de saúde preventiva e curativa. Por exemplo, os moradores do bairro passariam a ter consultas ali com clínicos gerais, médicos de outras especialidade e até mesmo com os demais profissionais da área de saúde, como os psicólogos.

Pelo que fui informado na secretaria da Câmara Municipal, essa reivindicação da sociedade já teria sido acolhida pelo Poder Legislativo no ano passado, por meio da Indicação de n.º 62/2014, e encaminhada ao Executivo. Porém, o então prefeito Sr. Evandro Capixaba não atendeu ao que foi solicitado pelos vereadores como fez em relação a quase todos os requerimentos de interesse da coletividade, quer fossem apresentados por políticos, entidades da sociedade civil ou pelo cidadão comum. E, apesar do afastamento do gestor anterior, a comunidade ainda permaneceu abandonada tendo sido muitas as reclamações que verifiquei em junho quanto à manutenção dos dois semáforos na referida Passagem do Corte, problemas quanto à iluminação pública na Avenida Litorânea, etc.

Sendo assim, fica aí a minha sugestão ao atual prefeito Dr. Ruy Tavares Quintanilha a fim de que o Poder Executivo, ainda na atual gestão, comece a construir um posto de saúde no bairro Junqueira.


OBS: Foto acima da Avenida Litorânea no Junqueira extraída de Trilhos do Rio

terça-feira, 30 de junho de 2015

A necessidade de informatização das nossas unidades de saúde




Vivendo uma era de informação, não dá para entender por que até hoje o atendimento das nossas unidades de saúde, inclusive a emergência do Hospital Municipal Victor Souza Breves (HMVSB), não se encontram aparelhadas nesse sistema!

Desde a semana passada eu já vinha debatendo o assunto com o Sr. Nilton Santos, assessor do vereador José Maria de Pinho (Zé Maria), acerca do assunto, quando o mesmo se viu em dificuldades terríveis ao assistir um amigo no HMVSB. Também num debate que se formou no Facebook, do qual o prefeito participou, foi colocada essa questão através de minha esposa Núbia.

Provavelmente muita gente já deve ter se perguntado por que as nossas unidades de saúde ainda não se encontram informatizadas em Mangaratiba?! Não tenho dúvidas de que, com a informatização do HMVSB, desde a recepção até às salas dos médicos, daríamos um salto de qualidade no atendimento prestado ao cidadão. Apenas para exemplificar, os receituários se tornariam digitalizados e passariam a ser impressos ao invés de manuscritos, sendo que o prontuário de cada paciente ficaria instalado no sistema, acabando assim com necessidade de preencher fichas (só se a luz acabar ou a máquina der defeito).

Além disso, para acompanhar todas as ocorrências do paciente, tipo exames, internações e avaliações médicas, a informatização possibilitaria o acesso ao cadastro da pessoa pelo número do Cartão Nacional de Saúde (CNS), o que ajudaria bastante na formação do diagnóstico. Inclusive nas situações de emergência visto que, quando uma pessoa dá entrada no pronto-socorro, jamais devem ser desconsideradas situações específicas acerca de sua condição de saúde, tipo doenças crônicas ou internações anteriores, de modo que esses dados relevantes poderão imediatamente ser levantados através do sistema.


Ora, lendo uma matéria que pesquisei na internet, verifiquei até a existência de softwares específicos que podem ser utilizados no nosso HMVSB, a exemplo do que fez em 2012 o município catarinense de Joinville:

"O Hospital Municipal São José implantou nesse sábado (4/2) um sistema integrado de gestão em saúde capaz de controlar o fluxo de pacientes através da unificação de informações. O software pertence à empresa MV Sistemas e é utilizado por mais de 500 instituições, 80 mil médicos e 100 mil profissionais no Brasil, na África e América Latina. O programa além de acompanhar o ingresso do paciente na unidade, também passa a servir como ferramenta de controladoria nas áreas de almoxarifado, farmácia, centro cirúrgico e ambulatório (...) A partir de agora, quando um paciente entra no pronto-socorro é possível acompanhar, por exemplo, para qual setor ou para qual sala de exame laboratorial foi encaminhado"

Embora o nosso Município esteja vivendo um momento difícil devido aos prejuízos financeiros deixados pelo prefeito anterior, vejo a informatização do atendimento nas unidades de saúde como um investimento e que trará benefícios para Mangaratiba em diversas áreas economizando recursos e, principalmente, ajudando a salvar vidas. Aliás, hoje em dia os hospitais de várias cidades do país já se encontram estruturados dessa forma e, com o avanço das tecnologias, não dá mais para dependermos só do velho sistema de fichas, o qual deveria ter sido substituído desde o final dos anos 90.

Portanto, fica aí minha sugestão ao prefeito Dr. Ruy Tavares Quintanilha a fim de que ele possa providenciar essa melhoria o mais rápido possível em favor de Mangaratiba.


OBS: Foto e citação extraídas de uma notícia encontrada no site da Prefeitura Municipal de Joinville, conforme consta em https://www.joinville.sc.gov.br/noticia/1036-Sistema+informatizado+de+gest%C3%A3o+em+sa%C3%BAde+%C3%A9+implantado+no+Hospital+S%C3%A3o+Jos%C3%A9.html

domingo, 23 de novembro de 2014

A vacinação anti-rábica humana em Mangaratiba




Na semana passada, pude constatar mais uma situação na saúde do nosso município que precisa ser revista. Trata-se da vacinação contra a raiva em seres humanos.

Dia 18 deste mês, ao tentar salvar dois filhotes de gato abandonados na linha do trem em Muriqui (os animais estavam perto daquela passagem quase em frente à rua Rio Grande do Sul), acabei sendo mordido por um deles. Embora os felinos não apresentassem nenhum sinal de estarem raivosos, achei por bem procurar os serviços de saúde pública para tomar logo a vacina.

No entanto, quando fui até à UBS de Muriqui, informaram-me que a primeira dose precisaria ser tomada no Hospital Municipal Victor de Souza Breves lá no Centro de Mangaratiba e não aqui no 4º Distrito, onde resido. Um dos motivos apresentados seria por causa da necessidade de se fazer uma certa notificação à Secretaria de Saúde. Liguei para lá no dia 19, confirmei se havia a vacina na unidade e consegui atendimento na emergência por volta das 22 horas. Por pouco não tive que voltar para casa de táxi devido aos nossos conhecidos problemas de mobilidade urbana.

Acontece que o tratamento requer a administração de cinco doses ao paciente, sendo que a segunda deve ser tomada três dias depois, a terceira em sete dias, a quarta em quatorze e a quinta em vinte e oito. Essa é a orientação prescrita pelas Normas Técnicas de Tratamento Profilático Anti-Rábico Humano adotadas pelo Ministério da Saúde:

"O esquema profilático da raiva humana deve ser garantido todos os dias, inclusive nos finais de semana e nos feriados. É de responsabilidade do serviço que atende o paciente realizar busca ativa imediata daqueles que não comparecerem nas datas agendadas, para a aplicação de cada dose da vacina. A interrupção de esquema, quando indicada pela unidade de saúde, não é caracterizada como abandono de profilaxia da raiva humana. No esquema recomendado (dias 0, 3, 7, 14 e 28), as cinco doses devem ser administradas no período de 28 dias a partir do início do esquema profilático."

Ocorreu que, na manhã do dia 22/11 (sábado), não consegui ser imediatamente atendido pela UBS de Muriqui devido à má informação da recepção, alegando que a farmácia do posto estaria fechada por não ser dia útil e que eu voltasse na segunda-feira (24). Só que não concordei e retornei ao HMVSB para dar continuidade ao tratamento segundo o esquema profilático. No hospital, a dose foi negada pela enfermagem e, apesar do encaminhamento do médico, determinaram que eu comparecesse outra vez ao posto para tomar a vacina lá. Então, devido à minha insistência em tentar solucionar o problema, um dos integrantes da equipe de plantão resolveu telefonar para a UBS confirmando haver uma dose da anti-rábica no local e que eu seria atendido no meu distrito apesar de ser fim de semana.

Finalmente, no começo da tarde de ontem, consegui que me aplicassem a injeção intramuscular da vacina em Muriqui. Porém, tudo o que passei deixou-me profundamente indignado, seja pela absurda divergência de informações nas nossas unidades de saúde e também pelo fato da primeira dose ter que ser dada apenas no HMVSB enquanto as posteriores são administradas na UBS correspondente à circunscrição territorial do paciente. Pois, a meu ver, independentemente da pessoa procurar o posto ou o hospital, o atendimento tem que ser feito de imediato no próprio lugar porque se trata de uma emergência, devendo qualquer funcionário estar capacitado para fazer os procedimentos de notificação. E os nossos gestores devem estar atentos aos limitadores problemas de mobilidade urbana que temos em razão da precariedade dos transportes públicos.

Assim sendo, fica aí a minha sugestão para que a Secretaria Municipal de Saúde não apenas melhore a qualidade do seu atendimento, informando aos seus agentes sobre o direito do paciente de tomar as doses da vacina anti-rábica em qualquer dia da semana, conforme as datas prescritas, como também permita que o tratamento possa ser iniciado imediatamente em qualquer UBS e não apenas no hospital. Afinal, como já dito cuida-se de uma questão de emergência de modo que a profilaxia contra a raiva precisa ser iniciada o mais precocemente possível, não devendo haver abandono do esquema profilático.


OBS: Ilustração acima extraída de http://www.saudedicas.com.br/wp-content/uploads/2010/02/imunoglobulina-anti-rabica-injetavel.jpg

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A recepção da UBS de Muriqui




Embora as obras de reforma do posto de saúde de Muriqui tenham sido entregues há poucos meses para a comunidade (juntamente com o marketing governamental de se tratar de algo de "primeiro mundo"), tenho notado algumas deficiências que podem ser sanadas no local. Principalmente quanto à recepção da UBS que atende tanto a pacientes de emergência quanto de ambulatório.

Um dos problemas observados ali diz respeito ao espaço que, apesar do ar condicionado e dos assentos mais confortáveis, não tem sido suficiente para a acomodação de um cadeirante e nem para abrigar um público muito grande de pessoas, como vem acontecendo em alguns dias e horários. Nesta semana e na outra, levei minha esposa a sua consulta com a Dra. Elisa que ocorre toda quinta-feira pela manhã e não consegui encontrar um local adequado para estacionar a cadeira do rodas da qual ela tem necessitado temporariamente desde que fraturou a tíbia. Infelizmente, acabamos ocupando uma área que deveria ser exclusivamente destinada à passagem dos pacientes, acompanhantes e funcionários.

Tenho notado também que os usuários chegam a formar filas, o que acontece quando eles pretendem falar com as atendentes ou aguardam receber alguma vacina. A máquina emissora de senhas continua desligada, sendo mais um equipamento que também está ocupando esse insuficiente espaço da recepção. Logo, a mesma área que deveria ser reservada somente para a locomoção das pessoas também acaba ficando burramente congestionada.

Os dois banheiros, embora relativamente adaptados para cadeirantes, também não dispõem de espaço suficiente e nem oferecem total privacidade (não conseguem ser trancados) porque, segundo informaram, as chaves não estão disponíveis. De acordo com funcionários da UBS, os próprios pacientes as teriam levado ou perdido, o que considero um absurdo. Não só por causa da falta de consciência da população mas sim pelo mal planejamento da Prefeitura que deveria ter colocado um outro tipo de fechadura que fosse própria para banheiros, com a instalação de um trinco interno em que a recepção ficaria com uma chave reserva para abrir a porta pelo lado de fora em caso de necessidade.

Como a reforma do posto de saúde de Muriqui já foi concluída, só restaria agora a Prefeitura fazer umas obras de reparo que importem na ampliação da recepção, aproveitando-se um pouco mais da área voltada para a rua, e fazendo as pertinentes mudanças nas fechaduras dos dois banheiros afim de torná-las adequadas a um uso específico e intenso (sempre de olho no que diz a NBR 14913 da ABNT). Na oportunidade, seria também colocado o piso tátil afim de permitir a locomoção com autonomia dos portadores de deficiência visual, reservando-se ainda espaços para o cadeirante aguardar tranquilamente o seu atendimento sem dificultar a passagem de ninguém e nem ser incomodado. Depois disso, seria posta em funcionamento a máquina de distribuição de senhas, o que facilitaria muito a vida dos idosos, dos usuários comuns e dos pacientes da emergência. Estes, aliás, seriam atendidos sempre com prioridade conforme a necessidade de cada caso e, dependendo da situação, até sem senha.

Corrigindo esses importantes detalhes acredito que a Prefeitura estará oferecendo mais conforto e qualidade para os habitantes de Muriqui bem como respeitando a dignidade das pessoas. E como morador do distrito deixo minha sugestão não somente aos nossos gestores como também à população em geral para que reclamem perante à Ouvidoria do SUS, cobrem providências, e, se não for resolvido, entrem em contato com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara dos Vereadores, Ministério Público, imprensa, etc.


OBS: Imagem acima extraída do portal da Prefeitura na internet.

domingo, 15 de junho de 2014

Uma clínica de recuperação para dependentes químicos em Mangaratiba




Um dos maiores problemas no nosso município trata-se da questão da dependência química e do uso imoderado de bebidas alcoólicas, conforme cheguei a mencionar brevemente no artigo de apresentação deste blogue, em 03/05/2013.

Há casos de pessoas em que o tratamento de certos vícios requer uma internação temporária numa casa de recuperação, o que também pode aplicar-se aos portadores de transtornos psíquicos em suas crises. Nem sempre os serviços do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), ou o atendimento ambulatorial numa unidade básica de saúde (UBS), bastará para o indivíduo conseguir dar os primeiros passos rumo à cura, de modo que se faz necessário o seu afastamento durante um período de alguns ambientes nocivos, das ruas e até da própria família.

Quando uma necessidade dessas surge, deparamo-nos com um outro problema que é sobre onde encaminhar a pessoa. Ou seja, qual o melhor lugar capaz de prestar um adequado tratamento? Pois, como se sabe, a emergência do Hospital Municipal Victor de Souza Breves não possui a mínima condição de receber dependentes químicos ou pacientes psiquiátricos em estado grave, tendo os médicos que dar conta de situações bem mais urgentes que ocorrem ali. Tão pouco seria proveitoso que a internação se dê em unidades distantes do SUS, situadas em outros municípios, onde a frequência de visitas de parentes e amigos, bem como o nosso controle social, torna-se algo difícil.

A meu ver, o ideal seria a Prefeitura construir e administrar uma casa de recuperação situada na tranquilidade da zona rural de Mangaratiba, porém em um ponto de fácil acesso por meio de rodovias pavimentadas com a circulação do transporte público. Sendo assim, sugiro a desapropriação de um sítio nas proximidades da Rio-Santos, ou da Estrada de São João Marcos, em que uma parte do terreno pode ser aproveitada para fins ocupacionais como o cultivo de hortas orgânicas, o desenvolvimento de atividades artísticas e de práticas esportivas entre os pacientes, além de um pátio seguro para convivência. Ali a pessoa internada teria acompanhamento psicológico, faria consultas com psiquiatra e receberia gratuitamente os remédios prescritos pelo médico. Haveria sempre um plantonista em tempo integral que, por sua vez, contaria com o apoio de uma equipe de enfermeiros e auxiliares. As visitas ocorreriam diariamente em horários estabelecidos pela direção.

Acredito que, com o desenvolvimento de um trabalho sério nessa importante área da saúde pública, Mangaratiba pode reduzir os casos de dependência química e de alcoolismo. Pois, como se sabe, o CAPS sozinho não consegue fazer "milagre" de modo que precisamos reunir os principais meios cabíveis afim de cuidar das pessoas que lutam contra os diversos tipos de vícios. Pois, sem dúvida, vale a pena investir na recuperação do ser humano, dando ao nosso semelhante uma nova oportunidade de se incluir na vida em sociedade.


OBS: Ilustração acima extraída da Agência Brasil com atribuição de autoria a Tânia Rêgo, conforme consta em http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/01/governo-paulista-faz-acordo-para-facilitar-a-internacao-compulsoria-de

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Um outro local para os serviços prestados no prédio anexo




Nesta terça (18/02), fui acompanhar uma paciente em sua consulta de psiquiatria no prédio anexo ao Hospital Municipal Victor Souza Breves, embaixo do Conselho Tutelar, no Centro de Mangaratiba, sendo que fiquei perplexo com a falta de espaço dentro e fora do local ao observar a enorme demanda de usuários. Ali são prestados serviços de psiquiatria, psicoterapia, fonoaudiologia e neurologia. Porém, antes mesmo do pré-atendimento com a secretária começar, pessoas ficam se espremendo na estreita calçada também ocupada indevidamente por automóveis estacionados no outro lado da via. Quando abre a porta da recepção, os pacientes do SUS se derretem debaixo desse calor escaldante que tem feito e sem que haja assentos suficientes para todos, ficando o banheiro indisponível com a justificativa de falta d'água.

Devido a isso, penso que um novo local precisa ser procurado pela Prefeitura afim de transferir os serviços hoje prestados no anexo e permitir que os usuários e seus acompanhantes tenham um ambiente de espera mais amplo/confortável. No caso da psiquiatria, da neurologia e da psicologia, por serem atividades integrantes do programa de saúde mental do município, poderiam ser concentrados juntamente com o CAPS - Centro de Atenção Psicossocial. Mesmo que o espaço num mesmo imóvel fique dividido, mas penso que a proximidade seria apropriada inclusive porque muitos pacientes que fazem uso de remédios controlados recebem seus remédios na farmácia do CAPS. Isto porque, quem é atendido pelos psiquiatras e neurologistas do anexo muitas das vezes precisa dirigir-se depois para o CAPS.

Vivemos hoje numa época em que os transtornos psíquicos têm aumentado cada vez mais de modo que se faz necessário prevenir e tratar das pessoas com o mínimo de qualidade. Neste sentido, a Prefeitura dispor de locais adequados e que cooperem com o tratamento do paciente só vai trazer benefícios já que as péssimas condições do prédio anexo têm deixado muitos usuários nervosos pelo fato de ficarem tão espremidos enquanto aguardam o médico. Logo, tendo em vista o atual contexto de reforma do hospital municipal e das unidades básicas de saúde (o prédio do PS de Muriqui já está pronto mas ainda não voltou a funcionar), deve o Poder Público dar uma atenção maior à saúde mental.

Para concluir, compartilho também que sou a favor de haver um CAPS em cada distrito tendo em vista a distribuição geográfica da nossa população e a grande demanda existente. Não se pode submeter os pacientes à descontinuidade de serviços como tem ocorrido durante as obras do posto de Muriqui em que o atendimento dos psicólogos tem ficado indefinidamente suspenso por meses sendo que o período de duração da reforma já extrapolou o dobro do previsto no seu início em maio de 2013. Além do mais, como o ambiente de uma UBS nem sempre contribui para o tratamento do indivíduo com transtorno psíquico, torna-se justificável que a Prefeitura encontre locais mais apropriados para a expansão da rede de saúde mental.